sábado, 4 de julho de 2026

Nada aos poucos

 Vc não me deixou as poucos, 

Despedidas ficaram pelos caminhos

Talvez os nós fossem fortes demais.

Cada junta entrelaçada disse para não ir.

Os dedos não queriam ir, precisavam uns dos outros.

Os olhos não queriam perder o brilho.

As imagens afetuosas, febris e até suburbanas não se foram.

Houve um desrespeito corporal, sentimental, mas o racional me deixou.

Despedidas ficaram esperando como crianças eufóricas inocentes.

Talvez os julgamentos de consideração e responsabilidade afetiva já haviam batido a porta sem meu ver.

Com vc não teve poucos, fomos loucos. 

A loucura tomada de assalto apaixonada, sem barreiras de freio, acelerou os corações.

Pé no acelerador, avante coração, sou sua.

Sua coragem podia me desejar toda, levar, devorar e só ouvir todo meu ser se derramando.

Mas vc me deixou sem poucos e restos, somente com migalhas cheia de agulhas.

Talvez as feridas não fossem sutis demais.

Cada rasgo, dor e lágrima disse que era passageira  

Os olhos teimavam em continuar.

Não queriam acreditar que do rasgo só sobraria sangue, dolorido e indefensável.

Talvez somente uma via se doou pouco, torto, meio morto.

Vc não deixou aos poucos nem eu nem os nós.

Lançou o barco sem adeus como um nau no nevoeiro.

No meio do deserto naveguei as dores.

Respirei todas as dificuldades 

Cada sutileza do meu mais precioso pedaço, o coração, desmontar-se.

Presos pelo fios dos supostos nós, que julguei serem fortes

 Esfarelavam-se sob meus pés cansados.

Não haviam súplicas, só um silencioso caminho de ida.

Cumpri o tortuoso mas com certeza que um abandono desses não tem rede de proteção.

É um pulo no escuro, sem previsão de ferimentos mas com a certeza de muitas escaras.

Vc não me deixou aos poucos

Mas eu me despedi com seus poucos.

Bem ali debaixo dos seus olhos fugitivos.

No barco meio a nevoeiro disse o adeus apaixonado.

A cada silêncio eu fui embora desse amor alucinado.

Rezando para que tudo fosse um delírio.

Não um amor febril se desmoronando como barco de papel no rio.

Eram tantos e ferozes

Sentimentos viraram algozes.

Sobraram vc e eu, sem poucos, talvez ocos.

Ou loucos.

Consequências do deixar.







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