segunda-feira, 13 de julho de 2026

O vento

 O vento que passou levou suas poeiras.

Fotografias desfizeram-se, mas fecho os olhos e vc ainda está lá.

Apagam-se as lembranças corriqueiras. 

O vento de braços dados com o tempo abrem os olhos para a realidade.

Saudade tem validade?

O vento me pergunta ele é uma ilusão?

Entre os dentes quero gritar que não.

Momentos factuais que marcaram meu coração.

Apagam-se os desejos pulsantes.

O vento de mãos dadas com tempo escancaram a vida que segue implacável.

Existe amor durável?

O vento me acaricia e sopra aos ouvidos: ele não existe.

Aperto os olhos, suspiro, tudo mais resiste.

Momentos que vão e voltam como as batidas da minha pulsação.

Apagam-se os afetos cuidadosos.

O vento sozinho arrancou as páginas do calendário.

Decepção sentou a mesa.

Muda a olhar-me.

Vento esperou minhas falas.

Talvez eu voe com as poeiras, para ver você ir.

Partir, partir, ruir, sumir. 



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