segunda-feira, 27 de julho de 2026

Jornada

 Aquela sinergia que nos misturava era inexplicavelmente especial.

Era mais que encontro de afinidades ou sexual era surreal.

Dividi minhas músicas, poesias e manias.

Não havia estranheza, só pertencimento como um encaixe após epifania.

Eu com minhas certezas você com suas duvidas

Que história e tanto esse emaranhado de vidas.

Caminhos opostos que não se escolheram mas o tal amor viveram.

Átomos dispostos, valentes, resilientes.

Laços de marinheiro, atração de mentes.

Aquele momento que nos intrigava era irrefutavelmente angelical.

Era mais que coincidências ou disparar de coração era pertencimento animal.

Dividi minhas dores, inseguranças e estranhezas.

Não havia julgamento, só casa.

Não era o seu portão, minha fechadura, era a nossa porta.

Atravessamos de mãos dadas, caminho da Igreja,roupa á caráter, trilha musical.

Luz apaga, estilhaços, vazio abissal.

Pisquei os olhos em busca da luz, da presença, vozes, a força que girava a engrenagem. 

Só havia eu para seguir sem cordas de segurança e eu o fiz com coragem e burrice, como as apaixonadas agem.

Tentava encaixar as peças do quebra cabeças desse enredo fatal.

Na caixa, minhas manias, músicas, estranhezas, cartas, fotos e o laço da dor brutal.

Recolhi os pedaços, respirei fundo e forcei os pés a caminhar.

Coração a colar a vida que teimava chorar, precisava voltar.

Descobri que as flores nascem no concreto assim como eu disse em decreto: amor só dá quem tem.

Como a rosa que apesar de bela, espinhos contém.

Aprendi que na minha terra fértil semeio o amor, a luz e a poesia que em mim vibram.

As cicatrizes, os cortes e ferimentos fazem parte do novo eu, átomos que enfim respiram.

Os pés antes teimosos hoje apontam para o que tem de melhor: a paz.

A que invadiu meu coração, a paz.







segunda-feira, 13 de julho de 2026

O vento

 O vento que passou levou suas poeiras.

Fotografias desfizeram-se, mas fecho os olhos e vc ainda está lá.

Apagam-se as lembranças corriqueiras. 

O vento de braços dados com o tempo abrem os olhos para a realidade.

Saudade tem validade?

O vento me pergunta ele é uma ilusão?

Entre os dentes quero gritar que não.

Momentos factuais que marcaram meu coração.

Apagam-se os desejos pulsantes.

O vento de mãos dadas com tempo escancaram a vida que segue implacável.

Existe amor durável?

O vento me acaricia e sopra aos ouvidos: ele não existe.

Aperto os olhos, suspiro, tudo mais resiste.

Momentos que vão e voltam como as batidas da minha pulsação.

Apagam-se os afetos cuidadosos.

O vento sozinho arrancou as páginas do calendário.

Decepção sentou a mesa.

Muda a olhar-me.

Vento esperou minhas falas.

Talvez eu voe com as poeiras, para ver você ir.

Partir, partir, ruir, sumir. 



sábado, 4 de julho de 2026

Nada aos poucos

 Vc não me deixou as poucos, 

Despedidas ficaram pelos caminhos

Talvez os nós fossem fortes demais.

Cada junta entrelaçada disse para não ir.

Os dedos não queriam ir, precisavam uns dos outros.

Os olhos não queriam perder o brilho.

As imagens afetuosas, febris e até suburbanas não se foram.

Houve um desrespeito corporal, sentimental, mas o racional me deixou.

Despedidas ficaram esperando como crianças eufóricas inocentes.

Talvez os julgamentos de consideração e responsabilidade afetiva já haviam batido a porta sem meu ver.

Com vc não teve poucos, fomos loucos. 

A loucura tomada de assalto apaixonada, sem barreiras de freio, acelerou os corações.

Pé no acelerador, avante coração, sou sua.

Sua coragem podia me desejar toda, levar, devorar e só ouvir todo meu ser se derramando.

Mas vc me deixou sem poucos e restos, somente com migalhas cheia de agulhas.

Talvez as feridas não fossem sutis demais.

Cada rasgo, dor e lágrima disse que era passageira  

Os olhos teimavam em continuar.

Não queriam acreditar que do rasgo só sobraria sangue, dolorido e indefensável.

Talvez somente uma via se doou pouco, torto, meio morto.

Vc não deixou aos poucos nem eu nem os nós.

Lançou o barco sem adeus como um nau no nevoeiro.

No meio do deserto naveguei as dores.

Respirei todas as dificuldades 

Cada sutileza do meu mais precioso pedaço, o coração, desmontar-se.

Presos pelo fios dos supostos nós, que julguei serem fortes

 Esfarelavam-se sob meus pés cansados.

Não haviam súplicas, só um silencioso caminho de ida.

Cumpri o tortuoso mas com certeza que um abandono desses não tem rede de proteção.

É um pulo no escuro, sem previsão de ferimentos mas com a certeza de muitas escaras.

Vc não me deixou aos poucos

Mas eu me despedi com seus poucos.

Bem ali debaixo dos seus olhos fugitivos.

No barco meio a nevoeiro disse o adeus apaixonado.

A cada silêncio eu fui embora desse amor alucinado.

Rezando para que tudo fosse um delírio.

Não um amor febril se desmoronando como barco de papel no rio.

Eram tantos e ferozes

Sentimentos viraram algozes.

Sobraram vc e eu, sem poucos, talvez ocos.

Ou loucos.

Consequências do deixar.