"Na realidade, cada um de nós é três: aquele que acreditamos ser, aquele que os outros acreditam que somos e aquele que realmente somos."
Acredito que posso virar molécula, penetrar bolha e sumir nesse ar perfeito.
Aquele que os outros ou o outro acha que sou, tece-me uma teia cheia de porquês e talvezes, que embolam-se nos meus fios cerebrais e ganham importância a medida de cada pessoa.
Aquilo que sou realmente é simples e complexo, complicado e perfeito, ateu e de fé, sombra e luz, certeza e dúvida, som e silêncio, inconstância e pé no chão, um grupo de mim que só importa para eu mesma.
A realidade é o que vc quer ver, vestida de fantasia e frou frous de ilusão. Com duração exata de tempo!
Que cheguem os amores, as paixões, as decepções, a realidade vestida de verdade com seu punhal nu e cru a lhe cobrar.
Quem é fiel a si? Ao que vc acredita ser, ao que o outro acredita que vc é ou o que vc verdadeiramente é??
Qual meu eu vc teve acesso? Qual vc degustou em sua língua? Qual desperdiçou?
Será que todos eles se relacionaram com vc e seus eus? Será que te despi, vi seu pior, enrosquei-me no lado b rejeitado pela maioria?
Quando por fim minha molécula mergulhar no ar perfeito só sobrará nuvens de vc, que passam como mero adorno do meu caminho.
Minhas viagens moleculares viram vc várias vezes mas não sentiram verdade, talvez só cabia o eu que vc realmente é: inconstante, fugidio, sem sentimento. Vazio como a nuvem que eu viajo.
O medo fere tanto, sangra como um tiro covarde. Mesmo acreditando a palavra de confirmação nunca chegou, assim como a bandagem da desculpa e o remédio do perdão.
Dou a mão as minhas três eus e seguimos no ar perfeito.
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