terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Precisava

 Precisei escrever-te essa carta, analógica maneira de expressar o que senti durante nosso tempo. Afim de atravessar o vento com nossa história, para que ela não se perca na covardia da vida difícil de nós dois. 

A paixão nos sequestrou, individualmente, colocando nosso sistema nervoso a baixo. Nãos nos procuramos mas nos desejos desde o primeiro momento. Meus medos, seus desejos, a voracidade das batidas do meu coração. Que presença firme moço, que coração lindo, seus olhos dizem tudo e eu me desmancho. 

Precisava tentar ao menos, dizer o quanto foi carmático nosso encontro. Quantas dificuldades para nomear nossos sentimentos nesse embrulho simbiótico que fomos nós dois. Meses que pareciam anos. 

Nossas músicas de mãos dadas, os livros de poesia nas mãos, seus olhos me devorando. Por um minuto odeio como vc lê meu pensamento, completa minhas falas, sabendo exatamente o caminho do arrepio. 

Precisava dizer talvez o óbvio: sua presença não faz força, preenche, se instala. Não há vestígios de muros a ultrapassar. É leve como seu sorriso. 

Talvez vc já saiba o quanto importa ser leal e corajoso na vida e no amor mas essa paixão não sabe ser uma coisa só, nem apenas juvenil muito menos madura. Alterna-se os estados como nossos dedos entrelaçados. 

Precisava dizer tantas coisas de vc, sobre vc, que esqueci o tempo. 

Ah tempo, infeliz rapaz, juntou- se com gente de péssima laia como a covardia e outros inadequados e vc saiu porta afora. Queria te devolver os pedaços de ti esquecidos por todos os lados. Resgatar a inocência que me fez acreditar em tantos momentos e a boa-fé que tudo se resolve no próximo minuto. Julguei o pobre rapaz Tempo. Culpei, sentenciei e apliquei-lhe a pena. Tantos erros escondidos, sorrateiros.

Precisava te ouvir dizer, te ver sem a casca, nú da convenções, coração pra fora. Ah como precisava. 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Tudo que eu quis

 Tudo que eu quis

As palavras no papel. 

Os nós que desfiz. 

Vc cabia em cada metro quadrado  

As notas musicais embalando. 

Os sentimentos embolados  

Tudo que eu quis

As concessões que me permiti. 

Os planos que refiz. 

Sobra tanto espaço sem você que eu quis

Porque o você que eu quis não me queria. 

No que foi desfeito vc me devolvia

Tudo que eu quis se perdia  

Eu voltaria?

Os dedos que se soltaram

As bocas que não se procuraram

As palavras que jamais falastes

Você voltaria?

Tudo que eu quis

Porque o você que eu queria só mentia

E a realidade só doía  

Os sentimentos foram rasgados como frágil papel

Banhados em maus tratos de puro fel  

Tudo que eu quis morria

Todo adeus me sangraria

Nem as palavras sobrariam  

Coração sob escombros

Tudo que eu quis

Deixei de querer

A verdade que não quis aparecer

Os dias lentamente a morrer  







 


terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Água

 Lava os olhos

Molha a boca, escorre no peito

Água que salga, brota. 

Tantas flores agora despetalam. 

Água que leva embora. 

Não enxuga decepções. 

Vc que traz a sede também seca o prazer. 

Gotas que percorrem toda extensão do meu ser. 

Serena mar. 

Amo sua força água, seu silêncio bruto. 

Olhos, ouvido, boca, tingidos de vc

Presente sua água, salgada e textual. 

Trinta e um dias de vc. 

Parte água, mata-se esperança. 

Ata-me contigo. 

Sigo despida, terra pronta. 

Sem despedidas. 

Água que teima, queima. 

Dor atrás de paz. 

Líquido ambicioso. 

Olhos, ouvidos, boca, marcados de vc. 

Escorre gotículas. 

Nossa água, teimosa, faceira, insistente. 

Multiplica partícula água. 

Sem adeus, talvez nós. 

Mudança de estados. 

domingo, 7 de dezembro de 2025

Decepção

 


Decepção é uma dose amarga que desce rasgando. 

Não se espera beber fel em dia de sol muito menos chuva. 

A dor acolhe com seus braços apertados de força traidora. 

A respiração rateia consumida pelos espinhos do golpe inesperado. 

Decepção flecha o coração que faz buracos difíceis de sarar. 

Olhamos as feridas que teimam em sangrar misturadas as lágrimas. 

Não sabemos se estancamos ou buscamos ar. 

Decepção dói profundo porque um dia foi vestida de confiança e consideração. Já deu risadas, abraços cúmplices. 

Confiança derrete sob o fel do ataque traiçoeiro. 

E consideração como criança foge assustada com tamanho alvoroçar dos gritos ingratos. 

Aperta-se os botões da realidade a nova vida cheia de cicatrizes. 

Decepção vc já fez os estragos suficientes em quem nunca levantou a mão pra vc. 

Não desejo o mal que vc me causou mas peço que nunca mais venha me ferir. 

Guarde seu fel, suas garras e seus feitos para quem merece. 

Sua visita fechou portas, deixou rastro mas vou costurar minhas dores. Sozinha. 

Dessa bebida amarga meu coração ingênuo não quer mais degustar. 

sábado, 15 de novembro de 2025

Pedaço de você

 Meu pedaço de você me faz companhia

Fizemos pouco, uma lenta agonia.

Quando olho pra esse sedento pedaço seu

Me faz querer colar corpo no corpo profundo breu.

Seu pedaço me fez cair em abismo sentimental 

E as brutas palavras dessa boca linda, golpe fatal.

Específico pedaço de você e seus tentáculos.

Nossos beijos ardentes, que espetáculo!

Tantas partes sem despedida de você

Pedaço restante, bruta flor do querer.

Meu pedaço de você não largou minha mão

Bastou um olhar para alcançar meu coração.

Quando sinto esse sedento pedaço seu

Pergunto porque todo o resto não foi meu.

Seu pedaço me fez perder a fé de tudo como um ateu.

E as vazias palavras dessa boca em derramar, me fez calar.

Específico pedaço que teima em não me deixar

Momentos que o tempo não vai apagar.



sábado, 25 de outubro de 2025

A estrada e o chão.

 Texto3


Tudo em vão. 

Seus espinhos enterrados na minha pele. 

Como vc fez isso?

Palavras no chão. 

As cicatrizes abertas escorrendo dor. 


Nada adianta. 

Calendário avançando sob os olhos. 

Qual sua motivação?

Sentimentos cravados. 

O frisson correndo pelo corpo. 


Tanto faz. 

Seus pedaços presos em mim. 

Como será o fim?

Cortinas de silêncio e vazio. 

Minha porta, sua presença. 


Tudo em vão, nada adianta, tanto faz. 

Estendo a mão para paz. 

Não tem disfarce, tiro a roupa e a pele. 

Sobras, sombras, poeira. 

Temos a vida inteira. 


A estrada e o meu chão. 

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Peças do amor

 Camisas se abraçam pelo chão

Peças do desejo

Amor em ebulição

Dedos suaves deslizam nas costas

Seu braço nos meus seios sinto-me exposta

Dentes cravam a carne quente

Suspiro pula passando dentes. 

Bocas captadas

Línguas no tango sinto-me atada. 

Calças empilham -se pelo mesmo chão. 

Amor em erupção. 

Peças do desejo

Pernas inquietas sobem tua cintura

Já somos interessante mistura

Minuto para ao nosso redor

Expectativa do encaixe que faz de nós um só

Desejo se completa no vazio das peças

O auge das carnes em suprema festa

Nessa dança somos meros expectadores

Desejos correm, tremem, disparam e ardem. 

O relógio que espere o amor dança em plena tarde.