Aquela sinergia que nos misturava era inexplicavelmente especial.
Era mais que encontro de afinidades ou sexual era surreal.
Dividi minhas músicas, poesias e manias.
Não havia estranheza, só pertencimento como um encaixe após epifania.
Eu com minhas certezas você com suas duvidas
Que história e tanto esse emaranhado de vidas.
Caminhos opostos que não se escolheram mas o tal amor viveram.
Átomos dispostos, valentes, resilientes.
Laços de marinheiro, atração de mentes.
Aquele momento que nos intrigava era irrefutavelmente angelical.
Era mais que coincidências ou disparar de coração era pertencimento animal.
Dividi minhas dores, inseguranças e estranhezas.
Não havia julgamento, só casa.
Não era o seu portão, minha fechadura, era a nossa porta.
Atravessamos de mãos dadas, caminho da Igreja,roupa á caráter, trilha musical.
Luz apaga, estilhaços, vazio abissal.
Pisquei os olhos em busca da luz, da presença, vozes, a força que girava a engrenagem.
Só havia eu para seguir sem cordas de segurança e eu o fiz com coragem e burrice, como as apaixonadas agem.
Tentava encaixar as peças do quebra cabeças desse enredo fatal.
Na caixa, minhas manias, músicas, estranhezas, cartas, fotos e o laço da dor brutal.
Recolhi os pedaços, respirei fundo e forcei os pés a caminhar.
Coração a colar a vida que teimava chorar, precisava voltar.
Descobri que as flores nascem no concreto assim como eu disse em decreto: amor só dá quem tem.
Como a rosa que apesar de bela, espinhos contém.
Aprendi que na minha terra fértil semeio o amor, a luz e a poesia que em mim vibram.
As cicatrizes, os cortes e ferimentos fazem parte do novo eu, átomos que enfim respiram.
Os pés antes teimosos hoje apontam para o que tem de melhor: a paz.
A que invadiu meu coração, a paz.