A poesia não seca, inunda alma, dedos, olhos, mente.
Vc tenta matá-la para me punir, para me fazer sangrar.
Mas como o dia nasce, poesia vive, ali latente como dor de dente.
Ás vezes punitiva, oras acalentadora, depende da leitura em mente.
Ou contaminação dos sentimentos doentes.
Minha poesia não morre, apenas descansa, repousa.
Como passarinho que depois de passeio, pousa.
Minha poesia não se permite virar pó, mesmo se eu me for.
Seu poder transformador, seu melhor adorno, transpassa toda dor.
Abandono meu corpo físico mas seu etéreo sobrevive, voando, permanecendo em vento livre.
Vc quer deixar de vê-la como se pudesse assim me apagar.
Como eu quero arrancar todas lembranças de vc como se pudesse assim desfazer vc.
As agulhas que me fazem ver que vc existiu, costuram feridas, mas costuraram juras de amor.
Minha poesia pintou esse bordado em várias formações.
O que antes eram corações em ebulição, hoje pontos sem junção.
Minha poesia não quer saber seu nome, endereço, estado civil.
Ela quer saber do seu peito, sua coragem, sua sensibilidade, aquilo do que vc é feito.
Minha poesia expõe suas fraturas, seu sangue, meu sal, as pedras do castelo que nunca existiu.
Na palma das mãos recordações do que somente ruiu.
A poesia não bota a perder, muito menos põe amor a desmerecer.
Minha poesia pode ser brava, doce, libidinosa, cruel, sensível, pessoal, genérica, anárquica mas sempre viva.
Aquela que me abraça forte, salva do caos e explosão.
Me derrama e se derrama, penetra em todos os poros, acordando todos os cantos.
Como prece fervorosa a todas divindades e santos.
Minha poesia não supõe, ela se sobrepõe as teorias e planos de ilusão amorosa.
A verdade que não se pode mentir ou fugir sem demora.
O véu que cai arrepiando, desnudando vc e eu.
Minha poesia sempre me pertenceu.