segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Botas Marrons

Vesti minhas botas marrons. E abaixada lembrei de vc e de nossos momentos bons. Teu chapéu de caubói ainda está guardado. Sinto muito por nosso sentimento ter mudado. Abotôo minha blusa e lembro das tuas mãos. Fortes e precisas deslizando sobre minha emoção. Respiro fundo é preciso continuar. Mesmo que meu coração saiba que não vais voltar. Um gole, um comprimido, uma canção. Nada vai matar essa sensação. Os estilhaços da janela ainda estão no solado das botas. Não consigo te apagar e nem sequer notas. Tudo parece intocado. Assim como meu pobre sentimento machucado. Saio por aí comendo poeira. O sol forte queima minha moleira. Esqueço que não sou um bebê, mas necessito tua proteção. Como pode virar as costas e dizer não? Aonde foi parar tua sensibilidade? Caiu nos decotes ou nas doses de álcool sem utilidade? Minhas perguntas nunca obteram tuas respostas. Das palavras sei que nem gostas. Vesti a cor do cansaço. Pra ver se de vc um dia me desfaço. Lembranças são eternas. Mas posso amarrá-las nas pernas. Como os cordões das minhas botas marrons. Que de tanto andar um dia perderá os tons. Como vc que não restará nem os sons.

6 comentários:

Tangerina disse...

Oi!

Primeiramente: que texto lindo! Adoro textos característicos pois dá pra entrar nele, visualizar.

Outra coisa, obrigada! As pessoas costumam se identificar com uma coisa ou outra, mas no mais, elas me acham mal educada e boca suja.. rs

:) vou favoritar seu blog viu? Preciso ler os outros posts.

Beijos, até!

Henrique disse...

FELIZ ANO NOVO!

Sara S. disse...

Pena que um texto bem escrito denote um sentimento de tristeza. O tempo sempre ajuda, dizem.
Bom ano 2009.

Tonhão disse...

Oi, Sobrinha! É o Tio Toninho 2. Vá em frente, menina! Sua poesia é adulta, você é poeta porque tem, infelizmente/felizmente, a melancolia e a sensibilidade necessárias. Sem esse binômio injetado na alma, ninguém é poeta. E o binômio está em você, você já vendeu sua alma à poesia e a sua alma agora pertence a ela.
Parabéns por ser poeta. Mas lembre-se: às vezes dói...

Tato Barba disse...

Aê, menina!

Texto bem ajustado!

Você não perde a linha. (rs)

Abraço!

O Profeta disse...

És um espanto...!



Doce beijo