quarta-feira, 7 de março de 2018

História comum

De tanto procurar joguei- me a um cansaço.
Aquele que amolece os olhos, dói as panturrilhas.
Respira- se a trajetos curtos, idéias vagas.
Corpo cobra o preço da teimosia.
Aprisiona uma alma rebelde.
De tanto desejar joguei- me a uma apatia.
Aquela que fenece o viço do sorriso, arde em lágrimas.
Suspira-se a salivas engolidas, pensamentos desconexos.
Alma dobra a vida que ainda vivia.
Liberdade que pede ser cobrada.
De tanto em tantos, estagnei.
Em medos de tempo que corre.
Pintando uma história comum.

Ivan

E no instante que fechei os olhos vc invadiu
Desbravou os espaços, me sorriu.
A tempos de romper velas ao vento,
E com esta força, resistir, nem tento.
Sem fôlego no meio de tanto ar,
Soletrando em sua boca vejo amar.
Que instante de flecha!
Viu em meu coração uma brecha.

Desistir

Se for pra desistir, que seja com a consciência tranquila, as sobrancelhas descansadas, os cílios batendo suaves.
Desistir sem a dor pungente do fracasso a esfaquear a costela, sem o suspiro agonizante do sentimento cruel da derrota.
Desistir como um render-se ao vento dos acontecimentos que impõ-se à garras fortes.
 Sem qualquer sobrepujar de maletude.
Um desistir verbo, tão palatável quanto seguir. Deglutido com total esmeiro, como quem se serve de sabor comum mas precioso.
Se for o caminho a seguir, que seja dado seus passos, com olhos serenos e descansados de fardos.
Desistir sem qualquer bagagem de passado. Ombros livres e postura segura, que se for, já exatamente é.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Seu nome remete

Quero enfrentar fila de banco
Fazer lista de supermercado
Demorar pra decidir que luz colocar na cozinha.
Transar na bancada, derrubando a fruteira.
Fazer amor no chuveiro
Deixar a comida queimar pq esta namorando e terminar comendo pizza.
Acordar com seu beijo me arrepiando
Escutar seu sotaque imaginando a testa franzida.
Comprar meião pro seu futebol de terça
Fazer cafuné quando der enxaqueca.
Entender no silêncio td o bem querer q existe.
Sorrir até doer as bochechas com seus elogios.
Corar com as indecências ditas ás 5 da tarde.
Fazer um filho ao som da playlist favorita.
Ligar pra somente dizer: cuidado no trânsito.
Achar sua doçura somente dentro dos meus olhos.
Casar de all star na Igreja da Urca.



segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Pensar em você

Pensar em você com tanto presente corrido,
Faz-me ver que talvez eu já tenha morrido.
Cada passo pisado,
Lembrança certa de um passado.
Amado, valorizado, estilhaçado.
Pensar em você com tanto desejo sentido,
Faz-me ver que talvez eu já tenha me punido.
Cada dia que escurece,
Todo amor de construção endurece.
Empedra e cimenta.
Pensar em você com tanta dor latente.
Faz-me ver que talvez eu já esteja doente.
Cada lágrima enraizando.
Vestígio aparente de ferida torturando.
Pulgente e aparente.
Pensar em você.
Esquecer.
Amortecer.
Não tecer-te.
De tudo, destituir.
Você.
Sem pensar.
Sequer juntar vernáculo amar.
Não pronunciar.
De você não pulsar.
Nem linha, nem pensamento.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Carta do dia

"Como te chamo? Querida?
Não quero parecer falsa, o tempo pode respingar mágoas.
Prefiro ir te nomeando aos poucos, como quem pinta devagarinho as cores em um quadro.
Hoje tive vontade de lhe ver, observar seu grandes cílios e aquele apertado sorriso que seus olhos cor de madeira esboçavam quando algo lhe tocava a alma. A saudade apertou tanto os nós do meu velho e cansado peito que julguei um enfarte emocional. Vc sabe que os tenho em grandes fases de saudade. Tu me conheces, pequena.
Suspiro porque pausar ao lembrar de ti é quase viajar no tempo, forço-me a não retirar os pensamentos dessas raízes terrenas. É um grande esforço para mim, e ando cansada como lhe disse. 
Tanto cansaço minha pequena lembrança doce. Um fadigar amedrontador, de doer os ossos emocionais, de escorrer vida pelos olhos sem sequer sentir. 
Nem ao menos sei como perdi meus fôlegos desenhado por asas. Não cabe perguntar a ninguém, a vida empurra os pés e costas de todos a ponto de deixar escapar-lhes essas palavrinhas.
Acordei tão normal, tão diária e sem pulsos que fui assaltada por você em um trecho de poesia lido. Vejo como é a vida, toma-lhe assim sem aviso, sem preparo e devolve-lhe essa saudade louca e infante como se fosse servir-lhe café da tarde.
Queria dizer-lhe que sempre que penso em tuas cartas alívio toma-me, porque sei que ainda sinto vida nos dedos. Estes mesmos dedos que ás vezes parecem mortos ou endurecidos, mas sem nenhum vestígio de mim ou de ti. Acordo ás vezes com eles tensionados, em posição de luta, como se guerra travasse em sono, como se minha'lma nunca quisera desistir. 
Olhos abertos, dedos afrouxam-se e incredulidade me toma. O mesmo sentimento que vi em vc ao deixar-me.
Desculpe tocar-lhe a ferida, foi uma carícia, juro. Precisava expressar o que se passa com meus amargos dedos. Acho que perdi a doçura, minha pequena pena. Sinto que perdi sim, as víceras dessa parte de mim tão suave quanto vc ao me sorrir. E apenas me resta deixar o acordar diário levar mais uma vez essa saudade. Que meu chamado letrista não lhe doa como minhas partes arrancadas, apenas se passem como vento no cabelo. 

Sem queridas, porque lembram-me as pequenas trocas sem importância da boca, somente o minha, porque este sim nomeio na mentalidade da posse, a qualquer hora e sem tempo ou reclames."

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Conta

Dando conta de mim tão pesada, tão vasta.
Pastas, gavetas, entrâncias e reentrâncias.
Sou um preenchimento de vivências e sentimentos.
Sentimentos esses que são tão pesados e fortes como orgãos.
Respiram, pronunciam frases, ensaiam passos.
Dar conta desse peso sempre foi assim.
Carregar esse eu estufado, abarrotado.
Sem mãos para dividir, sem calculadoras para somar.
Mas sem nunca zerar a caminhada da vida.
No fim das contas, eu dou conta de me carregar.
Suportar as variações da minha lua e do meu sol.
Alinhando meu planetas, no mapa da minha vida.
Gosto de sentir esse edifício sob as plantas dos pés.
Respirar fundo, suor escorrer para ganhar fôlego.
Superar cada tropeço com ou sem sorriso.
Dar conta é isso.