segunda-feira, 9 de junho de 2008

Mero movimento

To desmanchando em água
Juro que tento encontrar solidez por aqui
Deve em algum lugar existir.
Busco algo sereno pra me apoiar, me segurar
Olho ao redor, venta muito
Minha segurança cadê?
Se eu fechar os olhos será que dá pra parar?
Ta tudo fora do lugar, ta errado demais.
E onde foi parar meu cais?
É um teste essa vida real?
Odeio, quero sair.
Não é fugir.
Me resgata por favor..
Não é dor.
Escorre pelo chão meus pedaços
Sim, eu mesma me desfaço.
Já se romperam os laços.
Não quero... mas acontece desse jeito.
Não posso juntar o que remanesce
Sim, é assim mesmo que acontece.
Ta cinza, cuspiu as cores.
E não falo de amores.
Meus dedos não têm forças pra agarrar.
Não nesse agora, e sorrisos não ajudam.
Nem palavras, talvez abraços, nem sei dizer.
Muito menos como ou o que irá acontecer.
Até minha fala se paralisou.
Essa força desmontante me joga, me eleva.
Quando vejo estou no chão.
E sem querer sem ação.
E nem o brilho do sol consegue me resgatar.
E eu nem posso reclamar.
E o cotidiano já não se mostra interessante
O ponteiro se move como sempre.
E o sentido foi embora á muito tempo.
Nada a ver com o vento.
Sobrou minha razão (eu acho)
Rabisco lógica, fica deslocado, então paro.
E novamente estou no ápice do movimento.
Me pergunto mil vezes se agüento.
Do ar ao chão, sem muito raciocinar, nem despertar.
Preciso fechar os olhos pra não amedrontar.
Confesso muitos sentimentos em poucos minutos.
Mas continuo a me desmanchar.
Segura minha mão com força, por favor.
Vem me resgatar disso tudo.
Posso me acostumar e nunca mais conseguir ser inteira.

7 comentários:

Henrique disse...

Já sei namorar, mas não acho que sou de todo mundo ou todo mundo me quer bem, acho que essa atitude é fuga.

Sabia que seus poemas têm uma sequencia ritmica de sentimentos, parecem estações. A leitura dele me lembrou um poema de Meireles que tem no meu blog. Acho que ele ajuda a entender a vida de poeta que não encontra segurança na vida mas encontra na poesia:


Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

Henrique disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
(Un)Hapiness disse...

aqueles momentos em que somos nada, em que necessitamos de alguém e esse alguém não existe. desesperante, mas apela à tua força e vontade...qdo vencida, és uma heroina. :)

kiss

O Profeta disse...

És fantástica...



doce beijo

Naná disse...

E a vontade é tão somente
que te resgate
e junte os pedaços.
E então toparás ser um novo ser,
se preciso for,
desde que o novo ser seja formado
pelas mão do espalha...dor.

Bjinhos...

Toda Poesia disse...

Oi, amiga. Henrique é um amor de menino. E acabou trazendo mais uma alegria pra mim, ao te indicar meu blog,dando-me, então, oportunidade de conhecer o teu. Olha só, os desenhos são meus, sim. Eu os traço há muitos anos, mas nunca tinha tido coragem de mostrar pra ninguém. Até que respirei fundo e mostrei para um artista plástico que admiro demais. Ele me incentivou a mostrar pra todo o mundo..rs... Tirei-os da gaveta, e os postei no blog. Eles fazem parte de uma longa série de mulheres nuas, sem a menor pretensão de atingir o ponto perfeito, mas de transmitir, sim, um toque de sensualidade suave, de doce entrega. Aliás, no meu blog procuro publicar só o que é meu mesmo. Fotos, desenhos, letras. Evito coisas dos outros, a não ser por um motivo especial. Aconselho que publiques os teus também. Faz bem dividir... e confesso que fiquei curiosa...kkkkkk.l.. mostra, vai...rs... Beijos, querida. Volte sempre. Acompanharei o teu trabalho.

Keidy Lee Jones disse...

É tão agradável vir aqui.

Lindo demais, parabéns.