É um crime.
Seus lábios não procurarem os meus.
As ruguinhas que apequenavam os olhos seus.
A falta da minha pele que clamava seus dedos.
Seu abraço que afugentava meus medos.
É um crime horrível!
O corpo só que se formava o nosso encaixar.
Aquele silêncio conforto que não se buscava desmontar.
As músicas compartilhadas que eram pedradas.
Nossas mãos que não se perdiam sempre entrelaçadas.
É um crime inafiançável
O quanto de desejo que emanávamos.
Como nossos cheiros no invisível se buscavam.
Contrariando lógicas, apostas, deuses, nos pertencíamos.
Com linhas invisíveis de um estranho amor seguíamos.
Deveria ser um crime
Uma conexão atemporal e com tanta força muscular
Sentir seu beijo que arrepiava minha jugular.
Ser tomada sem resistência e barreiras morais.
Beber da fonte sua crueza, entregando seus sais.
Que crime
Deliciosos nós
Na taça saudade, brindemos sós.
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