quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Eu e mim

 Estou em derramamento de mim

Tentando conectar as partes em um pertencimento sem fim.

Um processo de mergulhar intermitentemente sobre mim.

Sentir o líquido de mim sobre a pele sensibilizada.

Partículas especiais de um eu diferenciado de mim.

Machucada, culpada, introspectiva, concentrada, calada.

Olho para trás e nada acho de mim.

Secou o meu eu ou foi vc que me tirou de mim?

Evaporou o eu sobrando o mim com pontos sem alinhavar.

Queria pedaços de vc em nós, esfregar, lavar, enxaguar.

E com as linhas que sobrar, montar um ponto fixo de mim.

Respiro os minutos que não tem mais o que decepcionar.

O meu eu que era seu nunca esteve em primeiro lugar.

Talvez o seu eu nunca foi parte de mim, só faltava enxergar.

Meu coração jurou não mais apaixonar.

Estou em aterramento de mim.

Cuidando das raízes para fortificar cada eu em mim.

E novos frutos enraizados de um pé brilharam das decisões.

Os vários corações que vc desprezou nas ilusões.

A realidade com seus pés pisaram em mim.

Com suas pedras, punhos, silêncios e cordas.

Ainda tento recuperar o meu eu que com seus dedos escorrem poesia nas bordas.

Você está em vários lugares, tatuado como ferro marcado.

Saio em busca do eu, porque o mim ainda está em algum lugar pendurado.

Parado com o tempo, a música, a doçura, o entendimento.

Sem mim o eu segue seu próprio tormento.

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