quinta-feira, 3 de julho de 2008

Páginas

Abri o livro e rasguei as páginas velhas e amareladas.
Pela janela a ventar voaram caladas.
Sem se despedir nem sorrir.
Nem um grito de socorro pude ouvir.
Voaram libertas e displicentes de sentimentos.
Perguntei antes de saírem: e os nossos momentos?
A resposta não veio, pois voavam sem freios.
E com certo arrependimento pensei: perdi meus esteios!
Quem desejava gritar era eu.
O vento balançava meus cabelos, mas só existia um grande breu.
Era o arrependimento que vinha na minha direção.
Sacudindo meus dedos, buscando motivar a intenção.
E longe meus olhos avistavam as páginas de um pedaço meu.
Letras voando presas ao amarelar de um papel.
Tempo inútil de medir agora que o limite é o céu.
Se fecho meus olhos perco o último adeus.
E lá se foram, escritos e pedaços intrínsecos de um dos meus eus.
Fecho o livro mas não a janela, ainda preciso com o vento respirar.
Quem sabe elas sentem saudades e ponham-se a voltar.

6 comentários:

Henrique disse...

Estou feliz de conhecer a autora desse poema! Orgulho me envolve!

Caralho.... fodaaaaaaaaaaaaa
já viu o último da nycinha?

beijos

Daise Poeta disse...

'Quem sabe elas sentem saudades e ponham-se a voltar.'

Adorei ler isso, parabéns!

O Profeta disse...

Voei contigo nas páginas do teu livro...


Hoje vou falar de um bruxo
Do julgamento dos seus fracassos
Das marcas deixadas no pó
Dos seus errantes passos

Convido-te a partilhar a Serenidade na palavra


Mágico beijo

Keidy Lee Jones disse...

Perfeito! Você vive em inspiração constante,

Bom fim de semana.


http://apoetadaalma.blogspot.com/ (Cecília Meireles)

http://claricelispector.blogspot.com/ (Clarice Lispector)

Nyc!nha Angel disse...

"Voaram libertas e displicentes de sentimentos."


Adorei isso, tudo oq me remete sentimento e liberdade me toca...!
Muito bom...!
Bjos!

Naná disse...

"Todas as cartas de amor são estúpidas,
se não são estúpidas, não são de amor."

Amor findado, fim às juras em forma de documento.

Seu eu-lírico, segundo as interpretações do meu, anda se desprendendo aos poucos de algo q ainda o sufocava.