segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Seu nome remete

Quero enfrentar fila de banco
Fazer lista de supermercado
Demorar pra decidir que luz colocar na cozinha.
Transar na bancada, derrubando a fruteira.
Fazer amor no chuveiro
Deixar a comida queimar pq esta namorando e terminar comendo pizza.
Acordar com seu beijo me arrepiando
Escutar seu sotaque imaginando a testa franzida.
Comprar meião pro seu futebol de terça
Fazer cafuné quando der enxaqueca.
Entender no silêncio td o bem querer q existe.
Sorrir até doer as bochechas com seus elogios.
Corar com as indecências ditas ás 5 da tarde.
Fazer um filho ao som da playlist favorita.
Ligar pra somente dizer: cuidado no trânsito.
Achar sua doçura somente dentro dos meus olhos.
Casar de all star na Igreja da Urca.



segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Pensar em você

Pensar em você com tanto presente corrido,
Faz-me ver que talvez eu já tenha morrido.
Cada passo pisado,
Lembrança certa de um passado.
Amado, valorizado, estilhaçado.
Pensar em você com tanto desejo sentido,
Faz-me ver que talvez eu já tenha me punido.
Cada dia que escurece,
Todo amor de construção endurece.
Empedra e cimenta.
Pensar em você com tanta dor latente.
Faz-me ver que talvez eu já esteja doente.
Cada lágrima enraizando.
Vestígio aparente de ferida torturando.
Pulgente e aparente.
Pensar em você.
Esquecer.
Amortecer.
Não tecer-te.
De tudo, destituir.
Você.
Sem pensar.
Sequer juntar vernáculo amar.
Não pronunciar.
De você não pulsar.
Nem linha, nem pensamento.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Carta do dia

"Como te chamo? Querida?
Não quero parecer falsa, o tempo pode respingar mágoas.
Prefiro ir te nomeando aos poucos, como quem pinta devagarinho as cores em um quadro.
Hoje tive vontade de lhe ver, observar seu grandes cílios e aquele apertado sorriso que seus olhos cor de madeira esboçavam quando algo lhe tocava a alma. A saudade apertou tanto os nós do meu velho e cansado peito que julguei um enfarte emocional. Vc sabe que os tenho em grandes fases de saudade. Tu me conheces, pequena.
Suspiro porque pausar ao lembrar de ti é quase viajar no tempo, forço-me a não retirar os pensamentos dessas raízes terrenas. É um grande esforço para mim, e ando cansada como lhe disse. 
Tanto cansaço minha pequena lembrança doce. Um fadigar amedrontador, de doer os ossos emocionais, de escorrer vida pelos olhos sem sequer sentir. 
Nem ao menos sei como perdi meus fôlegos desenhado por asas. Não cabe perguntar a ninguém, a vida empurra os pés e costas de todos a ponto de deixar escapar-lhes essas palavrinhas.
Acordei tão normal, tão diária e sem pulsos que fui assaltada por você em um trecho de poesia lido. Vejo como é a vida, toma-lhe assim sem aviso, sem preparo e devolve-lhe essa saudade louca e infante como se fosse servir-lhe café da tarde.
Queria dizer-lhe que sempre que penso em tuas cartas alívio toma-me, porque sei que ainda sinto vida nos dedos. Estes mesmos dedos que ás vezes parecem mortos ou endurecidos, mas sem nenhum vestígio de mim ou de ti. Acordo ás vezes com eles tensionados, em posição de luta, como se guerra travasse em sono, como se minha'lma nunca quisera desistir. 
Olhos abertos, dedos afrouxam-se e incredulidade me toma. O mesmo sentimento que vi em vc ao deixar-me.
Desculpe tocar-lhe a ferida, foi uma carícia, juro. Precisava expressar o que se passa com meus amargos dedos. Acho que perdi a doçura, minha pequena pena. Sinto que perdi sim, as víceras dessa parte de mim tão suave quanto vc ao me sorrir. E apenas me resta deixar o acordar diário levar mais uma vez essa saudade. Que meu chamado letrista não lhe doa como minhas partes arrancadas, apenas se passem como vento no cabelo. 

Sem queridas, porque lembram-me as pequenas trocas sem importância da boca, somente o minha, porque este sim nomeio na mentalidade da posse, a qualquer hora e sem tempo ou reclames."

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Conta

Dando conta de mim tão pesada, tão vasta.
Pastas, gavetas, entrâncias e reentrâncias.
Sou um preenchimento de vivências e sentimentos.
Sentimentos esses que são tão pesados e fortes como orgãos.
Respiram, pronunciam frases, ensaiam passos.
Dar conta desse peso sempre foi assim.
Carregar esse eu estufado, abarrotado.
Sem mãos para dividir, sem calculadoras para somar.
Mas sem nunca zerar a caminhada da vida.
No fim das contas, eu dou conta de me carregar.
Suportar as variações da minha lua e do meu sol.
Alinhando meu planetas, no mapa da minha vida.
Gosto de sentir esse edifício sob as plantas dos pés.
Respirar fundo, suor escorrer para ganhar fôlego.
Superar cada tropeço com ou sem sorriso.
Dar conta é isso.


quarta-feira, 25 de março de 2015

Carta a Elizabeth

Minha alma, Elizabeth, 
Partida, remendada de tantas vezes dilacerada,
Sente-se desmilinguir-se.
Perdi as forças de forma a sentir na carne a derrota.
A falta de viço.
Como uma lâmpada que desmaia de todo seu tempo de vida gasto.
Desculpe querida, eu tentei.
Minha tentativa árdua em manter meus pés fincados nesta terra inóspita foi persistente
Mas meu coração já morreu.
Foi um falecimento á mingua,
Difícil de se perceber,
Mas a cada pouco suspiro via-se a clara luta dele.
Soprei vida forte em seus ouvidos,
Cuspi realidade em sua cara,
Afim de assim chocar-lo,
Mas falhei miseravelmente.
Minha linda Elizabeth,
Pensar em ternos momentos marejam meus olhos endurecidos.
Onde foi parar aquela parte tão doce de minh'alma?
Será que o fel da morte pisoteou-a?
Não houve tempo de socorro.
A morte hoje já não parece- me tão fria.
A pintura grotesca que tanto dizem não me cega mais,
Já alcançou-me o coração.
O medo agora é de viver, de continuar esta inútil caminhada.
Qual conselho me diria minha pequena?
Sinto falta do aperto suave de seus dedos.
Aquele olhar piedoso diante das minhas angústias.
Preciso da sua voz reconfortante sobre a minha dor pugente.
Sentir menos dormência sobre o lodo sentimental que me restou.
Que dirias minha Querida?

sábado, 25 de outubro de 2014

Cicatriz

A cicatriz ostentada não diminui a saudade.
Ela vem com sorrisos, mas tb com maldade.
Malas e bagagens pesadas.
Lágrimas difíceis de serem carregadas.
Ar faltante do meu suspiro.
Mãos calejadas, pé dormentes.
Caminhar sem vc seca minhas sementes.
Rachaduras  em tudo que foi fértil um dia.
No colo, no lombo a dor que jamais partia.
Acolhendo calendários apressados.
Dentro de mim, vc em pequenos passados.
Afagos nas marcas feitas.
Seguindo em estradas estreitas.

No tempo.

Houve um tempo em que vc foi a luz da minha estrela.
E em sua existência, bastava tê-la.
Um tempo onde sua força girava meu planeta.
Meus pensamentos podiam rir quando dessem na veneta.
A época em que seus lábios de órbita me tiravam.
Meus pés saíam de onde estavam.
Houve esse tempo de encontro e sintonia.
Um brilho ofuscante de sintonia.
Melodia  de almas e corpos.
Agora apenas tempos mortos.