quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Tantos



Com tantos caminhos para seguir
Você escolhe ficar.
Com tantas linhas a compartilhar
Você resolve costurar.
Sem mesmo ver fico com seus pontilhados.
Adeus medos e suspiros abafados.
Tonta, meio embriagada.
Essa é a jornada.
Com tantos sentimentos para partir
Você escolhe o afeto para dedicar.
Com tantas ondas no seu mar
Você escolhe o meu mel a todo o sal.
Diante de tantos vôos
Seu vento em minhas asas faz parar.
Como o beija flor diante o néctar.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Dedos e miolos

" Gosto de mim escrevendo, gosto do que me torno, do mundo que bebo. A força que cresce na ponta dos meus dedos, chega a ser duro segurar o apetite dos meus pobres dedos. Aquelas palavras loucas para correr e se mostrar agitam-se em cada desenhar da caneta.
Os pensamentos aglomeram-se e quase geram um tumulto atropelando-se e complicando o meu já caótico trânsito intelectual.
Mas eu gosto de mim assim absorta e elusiva. Controlando meus pobres dedos psicóticos.
Na verdade não sei se torno-me essa pessoa que gosto ou se sou mesmo essa personalidade. Somente meus dedos, pobres e loucos podem responder, afinal de distúrbios les entendem; quando escrevem entram em um pequeno transe compulsivo onde até o ar torna-se inadequado. sente-se intruso, coitado!
Meus olhos gritam em meio àsuspiros e lágrimas: papel!
Pois só isso importa. Sem gente e mais papel nesse mundo!
Talvez a personalidade esteja nos meus dedos e não nos miolos.
Ah, meus miolos gostariam de ser dedos ás vezes, para separar o que serve do que não serve, como quem seleciona o jóio do trigo. Fazer a coleta seletiva do lixo reciclável interno.
Será que isso pode se plicar o coração? Meus dedos não atrevem-se a tocá-lo. Miolos então só gargalham da sua falta de "fibra".
Meu coração está deveras perdido nesse guerrear de dedos e miolos."

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Volta para Helena

Oi.
Não sei bem como começar, confesso. Já te escrevi tantas linhas inúteis,frases feitas, rascunhos de poesias, entrelinhas de músicas; e todas as vezes sinto o mesmo tremor nos dedos, as borboletas se agitam em minhas entranhas.
Como se a expectativa de chegar-te fosse superior a minha própria de escrever-te.
Rabisco a mão, mas meus ouvidos sentem o tilintar da máquina, como na música Bryone de Dario Marianelli.
Já ouviste Dario minha Querida? Deveria, pois é como vc, como nós. Apenas como um fechar de olhos, suspiro de alma aquela melodia "Darcy's letter" ou " The living sculptures of Pemberly".
Todo o meu tempo de amor foi sugado, transportado para outra dimensão pois não cabe nesta vida. Eu mesma me esgueiro nas partes possíveis, me seguro, equilibro. Não posso condenar o tempo, seria como esfaquear- me e gritar com os pedaços indefesos. Minha crueldade não ultrapassa as cercas elétricas do meu coração, vc deve saber.
Fico sussurando ao tempo que experimentar o amor não foi pior que estar longe dele com toda sua possessividade e tormento. Feridas cicatrizam mas jamais deixam de doer latentemente, espetando-te com suas garras afiadas nos momentos desprevenidos do viver.
O tempo é generoso em seu consolo, arruma teus armários, guardando tuas malas de vivência e no fundo, bem no fundo das gavetas as lágrimas. Como quem esconde o mais frágil do olhar alheio em um fundo falso, intocado, imaculado.
Não quero contaminar-te meu Amor, minha Querida, meu Tempo, com nada disso. Eu já estou doente sem fim, sem começo, somente um meio; sem respostas, só com meus dedos simbilantes, quase vivos escrevendo-te.
E fiz e refiz esse caminho tantas vezes que meus pés adormeceram, cansados de tantos passos titubeantes, implorando um " por favor continue".
Ás vezes acho que já conhece tudo isso minha Helena, que já decorou cada linha tênue de mim com tal esmeiro e dedicação que só uma metade pode.
Será que o Tempo zomba de mim neste instante? Gargalha de meu descuido?
Prefiro manter meu apreço por ele minha Querida, assim como por vc e por tudo que construí. Cada tijolo, cada grão de areia desse meu ser pulsante. E não falo do corpo pois este já o perdi, tu bem sabes, mas falo das virtudes, dos gestos que arrancam sorrisos, das sinceridades gratificantes. Estes pedacinhos o amor não alcançou, pois se o fizeste já não restaria nada dessa que vos falo, somente o pó.
Helena? Vc ainda está aí? Vou me despedir temporariamente meu amor. Perdi o fôlego. Tempo me chama, vou descansar.
Até breve.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Dizem por aí

Amo vc de paixão.
Dizem por aí.
Se eu amar sem paixão?
Sem o arroubo, sem o derramamento?
Só com o coração e seu acalmamento?
Sem o foguentismo, sem o abrasamamento.
Sem o cheiro da pressa e o tormento.
Dizem por aí.
Vou te amar sem foguento.
Porque sem paixão eu aguento.
Queimar em convenções.
Desejar-te sem explicações.
Só o meu sentimento.
Sem arroubos e explosões!
Amo vc, não queira variações!
Dizem por aí.
Tantas alterações.
Amo-te com meus pulmões!

Feia

Feia é essa tua casca.
Dura como ferro.
Com a força motriz de vulcão.
Desarrumada como tuas poesias e gavetas.
Feia embrutecida.
Firme como madeira.
Com a rigidez de pilares.
Desenhados como suas tatuagens.
Feia enraizada.
Abastecida de tudo.
Protegida de nada.
Cem olhares.
Sedentos de beleza estúpida.
Crua como julgamentos afiados.
Rasos como futilidades.
Feia respire ares.
Amoleça dores.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Voltei ou parti?

Voltei ou nunca parti?
Quis cada amargurante linha,
Extraída do meu melhor,
Suspirada e carregada de mim.
Quis contaminar com pedaços,
De dor,de desejo,de vida.
Partir pra voltar.
Voltar querendo partir.
Querer.
Quero esse eu impregnado,
Cortante,doído,essencial.
Não me agarre silêncio.
Não parta inspiração.
Adeus,adeus.
Suspiro de mim.
Dor de diversidade.
Não voltei,porque nunca parti.

Engolida

Engolida pela brancura da não inspiração
Pulsa?vibra? Não.
Não posso colar restos do que já feneceu.
Aquele sentimento foi teu.
Engolida por um vazio sem fim.
E eu que tão pouco sei de mim.
Não posso respirar destroços rarefeitos.
E tudo foi do seu jeito.
Você já se apaga em meu olhar.
Mas seu amor não sei matar.
Engolida pelo passado vibrante.
E logo eu que sempre fui pulsante.
Não posso ser o que passou.
Aquilo que só vc me levou.
E tudo foi do seu jeito.
Mas seu amor não sei arrancar do meu peito.
E mesmo assim bate esse meu coração.
Em meio a poeira que já vem te apagar.
Vejo as linhas daquilo que ainda teima em respirar.