sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Dor



Não posso fechar meu corpo para dor.
Ela faz parte de mim.
E tão fervente, tão viva, tão atroz.
Aquilo que grita, que amedronta está em mim.
Sem laços com o fim.
Com respingos ininterruptos de amargura.
Mas não afeto terceiros.
Tenho fendas e rasgos intermináveis.
Caibo tanto e tão profundamente.
Não espero leituras fiéis.
Apenas um afeto sincero.
Puro e visível como a minha dor.
Presente e inquieto como meus olhos.
E o que sou eu senão um abrir e fechar de portas.
Um desejo que vai e volta.
Um sorriso simples.
Um ar juvenil em um corpo velho.
Uma alma simplesmente.
Quero ter tantas de mim em mim que choro.
Um desmilinguir de realidade.
A verdade corta como lâmina.
Afiada como minha língua.
E o sangue é doce como o meu amor.
Não posso fechar aquilo que tem vida.
Que arde e pulsa como o meu respirar.
Caminhe dor.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Apenas um sonho

Preciso mais que tudo aprender.
Aprender tantas coisas que vão além de um saber.
Aceitar aquilo que me é difícil pelo olhar.
Tirar lições não somente das dores.
As quais eu já aprendi a admirar.
Preciso saber aceitar o doce quando ele vem.
Não preciso de vc seja vc quem for.
Mas necessito de mim.
Forte com ou sem dor.
Preciso acreditar que existe muito mais vastidão aqui dentro.
Não temer, confiar diz o vento.
Reconhecer que o estado de aprendizagem é eterno.
E não ser menos por isso.
Ah senhor vento, me leve com vc.
Quero sair de mim e aprender.
Esvaziar o inútil.
Esfarinhar oapático.
Deixar o pó da satisfação cobrir tudo.
E sobretudo não pensar que foi apenas um sonho.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Bilhete

"Meu amor.
Como queria te chamar assim.
Como queria que não tivesse fim. "
Sou piegas diga.
Confesse suas idéias sobre mim.
Como quem consome uma brasa.
Como quem traga um cigarro.
Faça comparações.
Mas pelo amor de nós dois: diga emoções!
(...)
Olho para o seu silêncio medonho.
Lembro de mim,de ti,antigo sonho.
Palavras que casavam ao som de romance.
Dedos entrelaçados,pura nuance!
Filme.
(...)
Vc agora sorri.
Mas se nega a intervir.
Parece que gosta do meu devaneio.
Te olho com minhas aflições.
Me pergunto e suas emoções?
(...)
Olho para o papel e amor está a gritar.
Ali forte,afogando,se espalhando.
E o rabiscar?
(...)
"Sugadas pelas emoções.
Simplesmente.
Meu amor. "

sábado, 9 de julho de 2011

Não quero lembrar de vc.

Não quero lembrar de vc.
Não quero precisar dos teus restos.
Migalhas de afeto,carinho e objeto.
Não quero sentir tuas agulhadas.
Nem lembrar de nossas mãos dadas.
Fechar os olhos e lembrar.
Ardentemente desejar.
Não quero esse querer.
Não quero lembrar de vc!
Seu jeito carinhoso de me vencer.
Seus olhos em pouso.
Meu coração teu repouso.
Não lembrar e sim apagar.
Amar um novo esquecer.
Lugar onde teu pensamento não venha me ater.
Não quero lembrar vc.
Nem no canto escuro das idéias te afogar.
Guardar pedaços como comprimidos.
Pra tomar e sentirmos unidos.
Novamente.
Vc em mente.
Preciso ser rente.
Não lembrar vc.
Não quero.
Espero.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Delicadeza

Ás vezes acho que roubaram a minha delicadeza.
Que me soubrou apenas o primitivo.
A falta de encanto pela vida.
O olhar comum.
Me perdi em algum momento sutil do passado.
Relembrando ou vivendo, não sei.
Perdi o viço como uma folha que despenca da árvore.
E que ás vezes reluta em amadurecer e cai tardiamente.
Sei que é preciso caminhar.
Mas como é difícil tirar o pé do chão e transpassar.
Com esse meu silêncio indelicado no olhar.
Essa saliva pesada, densa, que teima em vir e vir.
E o coração que bate tão fundo que chega a tremer a carne.
É uma falta de delicadeza instrasponível.
Esse olhar cansado de ver um tudo e um nada sempre igual.
Que chora aconchego.
Que tenta se armar de sorrisos diários.
Que tenta dar a mão á vida.
Mesmo sem encanto, sendo indelicado confessando.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Brancura

Eu olho para a brancura do papel procurando, procurando.
Como se em minh´alma olhasse.
E vejo tantas coisas em meio ao nada.
Tantas partes de mim que queria de volta.
Anseio que a novidade faça a volta.
Existe pior dor que o desejo do passado?
Aquilo que causou e abusou.
Que simplesmente me passou.
No meio do branco meu coração a vagar.
Sem traumas, sem desespero.
Mas aflito somente.
E um olhar de estações.
Como quem espera cada flor não viver.
Como quem observa cada suspiro de mim.
Cada tilintar do som.
Sem arroubos, sem sorrisos.
Um presente existencial mas tão vago.
Preenchido de existência de si mesmo somente.
Loucura, seria a olhos alheios.
Mas quem é passível de tanta sanidade?
Quem vive sem prisões e angústias?
Medos e questionamentos em cápsulas e escapes.
Brancura és minh´alma e sonhos.
Vazios de presença e recheados de mim mesma.
Complexo seria me definir.
Inexplicável é viver.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Se...

Se o amor é intransitivo como dizem
Como sentir sem querer possuir no presente?
Como impedir que o presente
E sua pressa queira roubar o futuro?
E se o amor é vivo, sem amarras..forte.
Como sentir sem abafar as faíscas da fraqueza?
Como impedir que te possuo como um ser único?
Impedir que exista!
Implorar que não seja tão subsistente!
Que não não veja como a gente!!!
Como se abrir para o novo sem olhos nostálgicos?
O bom desse amor deixa marcas eternas.
E como ter forças nas mesmas pernas?
Se esse amor é tão presente.
Como mais forte que uma semente!
Que cresce sem o desejo e fortalece sem a vontade.
A vida sempre te invade!
E se o amor é como uma metade.
Queira ser o que invade.
Sem permissão....sem vontade.
Deixa pra pensar com saudade.
Nesse amor sem idade.