sexta-feira, 9 de maio de 2008

Vou te conceder um pedido

Vou te conceder um pedido
Veja bem, o que vai pedir, é um só!
Uma nota de Ré ou Dó?
Posso ser sua melodia.
Dentro do que me conheces
Vai saber o que (quem sabe) te apeteces.
Vou te conceder um pedido.
Um pequenino como um grão de feijão
Posso ser uma faísca contaminante no teu coração.
Ou uma grande marcha de gente animada por um ideal
Posso ser um doce e irresistível mal.
Veja bem, o que vai pedir, é um só!
Não to te pressionando
Só sinceramente avisando.
Não sou de muitos
Veja o que vai pedir, veja bem.
Não és meu refém.
Não me acuses, to dando-lhe a chance de escolher.
É simples, é analisar o teu querer.
Depois observar se encaixa-se no meu querer
E voilá!
Mas lembre-se é um só pedido.
Mesmo que no fim sinta-se arrependido.
Jamais me acusará de ser iludido.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

De luxo

Desprezando detalhes
Espremendo o importante
Quero ser essa errante.
Sou sua interrogação
Gosto de causar descompasso, palpitação.
Desprezando açúcares
Inserindo azedo nos dentes
Até ficar dormente.
Quero ser esse imprevisível
Só as palavras são consumíveis.
Eu sou de luxo
Sou sua interrogação.
Aprecio causar confusão, misturar sentimentos grande turbilhão.
Simplória na casca exterior
Não se engane com qualquer julgamento posterior.
Gosto de confundir
Minhas palavras sufocam teu persuadir.
Desprezando facilidades
Estou além do passível de consumir
Eu sou de luxo.
Traga o irreverente
Seja, não tente.
Menos previsível, mas extremamente doce
Me embale como se sua eu já fosse.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Porta aberta com David

O modo como organizavam-se aquelas letrinhas até então indecifráveis enchia meus olhos de curiosidade.À vontade de descobrir aquele mundinho de páginas e desenhos coloridos era tão grande quanto á espera da “hora da saída” pra brincar de pique-esconde.Fabricando meus sonhos pueris, me fazendo achar tudo meio de algodão-doce..Meus olhos sempre brilhavam de ansiedade para juntar as letras e dar a elas todo um sentido; aquele que deve existir realmente o da magia que engole vc pra dentro da história.A minha fome de ler era tão grande que em lugar de ver televisão eu queria que minha mãe contasse as historinhas da coleção dos bichinhos, que eu tinha quase toda. E a magia transformou-se em felicidade no dia que consegui juntar as palavras e ler minha primeira frase.A ânsia de ler sozinha saiu da minha boca e pulou no chão.Virei algo muito melhor: leitora. O mundo era meu!As palavras me pertenciam, eu era delas e assim selava-se o casamento mais brilhante e inseparável da minha vida.”A princesinha de rabo de cavalo e as letrinhas” E tem um menino de olhos vivos e cabelos pretos que foi o responsável por esse abrir de portas,nunca vou esquecê-lo, o amor se estabeleceu ali, simples, verdadeiro e puro.Era o curioso e inteligente David*.

*Referência ao livro de alfabetização: "A Cartilha de David"

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Fecho a porta

Fecho a porta
Cada vez menos alguma coisa importa.
Sou displicente não espere
Chegue com personalidade
Não espere oportunidades.
Só deixo me pegar quem eu quero.
Fecho a porta
Se abandono é pra sempre
Não venha, talvez tente.
Seja impulsivo
Dê vasão a paixão de modo incisivo
Como um corte aberto
Te quero por perto.
O contraditório faz parte
Não é questão de alarde
Mas de entrega
O amor é piegas!
Porque não vêes como eu?
Porque torna tudo irascível, escuro, um breu?!
Fecho a porta
Não vou esperar uma suposta atitude
Te falta a vontade, e alguma pitada de ilicitude.
Eu sou o próprio corte.
E nada pode impedir essa morte.
Não é questão de alarde
Faz parte.
Essa minha louca entrega.
Nunca nega.

sábado, 3 de maio de 2008

Abelha destilando mel

Juízo e sentido
Mastigo até o sumo
Retiro teu prumo.
Te consumo!
Bebo o suor
num gole só.
Não tenha dó
Faça o mesmo comigo.
Crave os dentes no meu umbigo.
Sim perdi o equilíbrio ao te ver
Inventei um modo de te enlouquecer.
Quer pagar pra ver?
Faça eu me calar
Roube meu fôlego no beijar
Faca-me rir para eu alucinar.
Roça loucura na minha orelha
Eu pago por essa perversão cifrada em centelha.
Vou virar abelha destilando mel.
(Eulália Marques)

Felicidade

Felizes aqueles que prescindem do senso reflexivo ínsito ao isolamento habitual.
Felizes aqueles que ignoram sua mediocridade, pois esta se efetiva de tal forma que os impedem de conhecê-la.
Felizes aqueles que não precisam pensar no amanhã, por não poderem ir além do hoje.
Felizes aqueles cujo pensamento não pode ir além de si mesmo (ainda que limitado por sua mediocridade), pois não atingirão à frustração atinente à conclusão pela inviabilidade de um senso solidário universal.
Felizes aqueles que podem prescindir do norte racional e se enveredar cegamente pelos caminhos da fé; que podem mergulhar em trilhas dogmáticas sem a desconfiança, sem insegurança, sem se preocupar com sua instrumentalização para interesses nem um pouco nobres.
Felizes aqueles que encontram na superficialidade mundana a realização material e espiritual, corolários e combustíveis da pomposa máquina do mal que assola a sociedade contemporânea: o individualismo exacerbado.
Felizes aqueles que encontram a realização na supressão vital, na sanatória geral, ponto de convergência entre todos os seres humanos, o epílogo comum.
Felizes aqueles que não podem ser felizes e ainda sim buscam uma felicidade fictícia; buscam um estado aparente de felicidade.
Enfim, viva à felicidade e àqueles que possam alcançá-la, dentre os quais não me incluo.
Autoria: VitorHugo ( não o poeta, mas alguém brilhante tb, sensível, inteligente e meu amigo!)

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Tempo

"As vezes os meus dias são de par em par"
"Mas se vc achar que eu tô derrotado, saiba que ainda estão rolando os dados"
"Solidão que nada"
"O tempo não para"
"Minha metralhadora é cheia de mágoas"
"Minha flor meu bebê"
"Mil rosas roubadas"
"E por vc eu largo tudo, vou mendigar, matar"
"Adoro um amor inventado"
"Amor meu grande amor não chegue com hora marcada"
"Vamos pedir piedade,Senhor piedade"
"Pra quem vê a luz, mas não ilumina suas minis certezas"
"Quem sabe eu ainda sou uma garotinha"
"O princípe virou um chato"
"Matando a sede na saliva"
"Um corte lento e profundo, entre vc e eu"
"Algum veneno anti monotonia"
"Transformar o tédio em melodia"
"Boca, nuca e a tua mente não"
"Ficou tudo fora de lugar, café sem açúcar, dança sem par"
"Desperdiçando o meu mel, devagarzinho flor em flor"
"Prendia o choro e aguava o bom do amor"
"Já que eu não posso te levar, quero que vc me leve"
"Faço promessas malucas, tão curtas quanto um sonho bom"
"Estamos meu bem por um triz"
"Procurando uma vaga aqui ora ali, no vai e vem dos seus quadris"
"To cansada de tanta babaquice, tanta caretice, essa eterna falta do que falar"
"Vida louca, vida, vida imensa"
"Pro dia nascer feliz, essa é a vida que eu quis"
Cazuza- 50 anos!
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Pode me arrastar que eu deixo
Por isso, sem fim eu me sujeito
Derruba meus conceitos
Mas me olha com respeito.
Mostra o doce e o amargo dos lados
Aprendo com farpas, momentos marcados.
Cobre as mágoas
Pequenezas dos agoras.
Dá cambalhota no passível de fazer sentido
Insere juízo no meu ouvido.
E sabe embalar meus sonhos (se ainda os tenho)
Mostrar que nesta vida medíocre nada suponho.
Eu incisivamente e radicamente me imponho.
Único parceiro
Respeito seu modo matreiro.
Inteligência nata.
Sua passividade ás vezes me mata.
Mas nunca me deixe
Preciso de vc como da água o peixe
Não vire as costas pra minha insegurança
Aceita minhas loucas mudanças.
Sorria pra mim
Pois pra vc não existe porção ruim.