quinta-feira, 22 de maio de 2014

Final

Me despeço 
Do último pedaço vivo.
Não adianta soprar.
Vida esvaiu-se.
Excesso de cortes.
Ilimitados choques.
Me despeço.
Agora sem traumas.
Dores normais.
Suspiros mortais.
Me despeço.
Consciente.
Só tenho minha mente.
Dedos a sombrear.
Esvaiu-se.
Rarefez.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Morte

Extirpar o desejo afiado.
Separará-lo das veias.
Não contaminar-se.
Secar o sangue que teima em brotar.
Segurar os restos pulsantes.
Enterrar-lhe as unhas fundo.
Equilibrar força.
Derramar as lágrimas da razão.
Acalmar-lhe em expressão apática.
Olhar seus suspiros desesperados.
Sentir seu cheiro.
Não contaminar-se.
Aplicar-lhe eutanásia.
Render-lhe piedade.
Esperar.

Dando conta

Passei por você.
Agora sobram os restos.
Raspas da combustão.
Daquilo tudo no meu coração.
E como se dar conta?
Causas, brilho, mortes.
Pulsar, dor, vazio.
Passei pra valer.
Em vc, por vc, dentro de vc!
Como asas de um beija flor.
Voar,doar, amar.
Daquilo que eu sou.
(...)
Pó restou.
E como se dar conta?
Soprar o pó.
Deixar o vento varrer.
Embalar pra valer.
Tudo de vc.
Em mim, por mim, dentro de mim!
(...)
Ser grata.
Lições, lembranças, Amor.
Daquilo que em mim ficou.


R.B.

Basta um descuido e outro corte.
Esse meu pobre coração.
Tantas mortes.
Olhos em oração.
(...)
Basta abrir um sorriso.
Esse meu descuidado coração.
Calores preciso.
Lábios com emoção.
(...)

Palavras

Voltei a escrever.
Voltei a realidade poética.
A derramar minha doçura e meu fel.
Mesma medida.
Não sei o quanto cabe em mim.
Se pertenço a este ou aquele lugar.
Sei que sou das palavras.
E elas me possuem com fervor.
Estou despida para elas.
Cicatrizes expostas.
Sorrisos e lágrimas.
Simples e torturada.
Somos pertencentes.
Pedaços cheios de grunhidos.
Olhos silenciosos.
Não sei quem é esse pedaço.
De onde parte ou onde invade.
Voltei a manchar o branco.
Voltei a tal mundo.
A deitar minha agonia e meu amor.
Sem medida.
Não sei o quanto conter em mim.
Se adequação socorre.
Sei que palavras não morrem.
Mesmo quando tudo fenece.
No pó restará elas.
No céu pedaço delas.
Aparentes.
Complexas.




quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Nem sei de mim

Nem sei de mim,
Dos segredos doídos sem fim.
Das suas metades enraizadas.
Das minhas elucubrações inacabadas.
Agarrei-me as possibilidades.
Criaturinhas minhas.
E assim saber só de mim.
Um minúsculo pedacinho que seja.
Algo que afaga e beija.
Que aquece e a pele vem marcar.
Entendo de cicatrizes.
Bebo razão lido com diretrizes.
Planos inacabados.
Ilusões em pó, sonhos terminados.
Nem sei de mim.
Quanto mais vc e seus fins.
Suas dobras, raspas e restos.
Sei somente do enredo.
Do frio na barriga, o medo!!
O querer-te roubando ar! 
O desejo que nem vinha bastar.
A risada entre beijo a nos gastar.
E a mim?
Que importa?
Vc derrubou barreiras e portas.
Marcou sua melodia.
Trouxe o sol no meu dia.
Não sei de mim,
Sinceramente nem quero saber.
Interessa-me somente o que seus olhos vão comer.
Aquilo que seu sorriso irá beber.
Vamos roubar pedaços simultaneamente.
Deixar até a paixão dormente!
A mim, o que vem te interessar?
Não deixe o resto afogar!
Cair no mal amar.
Sumir sem sem aviso, carta de adeus.
O fogo que mantém cessar.
Não sei de mim,nem queira saber.
Minha infinitude é o melhor para se ter.




domingo, 2 de fevereiro de 2014

Amor ordinário




Amor ordinário.
Quem irá aquecer as palavras frias não derramadas?
Todas as salivas amarradas.
Os nós presos e atados.
Seu amor não entra mais em combustão.
Estamos em outro estado.
Distâncias seguras.
Medos engavetados.
E o suspiro final?
Partir em mim ou de vc?
Nós já fomos sublimes.
Hj apenas ordinários, amor.
Quem irá devolver os pedaços não autorizados?
Aqueles arrancados pela paixão.
Calorosos nós, braços, pernas, olhos.
Fomos clichês em cada sorriso.
E agora a  ventania de outro estado.
Os sofrimentos constantes e sempre controlados.
Quero de volta a chama.
Tudo aquilo seu que me desmonta e derrama.
O nosso extraordinário.