Saudade de quando vc pintava as unhas dos meus pés de vermelho.
As carícias apaixonadas nas pernas e o olhar malicioso.
Meu peito dói de ver a trilha sonora feita para cada momento.
Um amor Bethania esses fragmentos.
Choro nesse terreno árido para refazer as nascentes do meu coração.
Vc regou meu desejo e secou o rio da paixão.
Saudade da comida de sábado, o cheiro da sua colônia junto a comida e o vinil chiando.
A risada na história contada, um gole no vinho e o amor se derramando.
Meu peito tenta costurar as rachaduras que a sua doçura fez virar fel.
Um amor clichê esses fragmentos.
Choro de cara no vento para molhar o terreno rachado e frio que virou meu coração.
Vc jogou sal na minha água e de mar sobrou pó.
Saudade da voz ao pé do ouvido, a língua ávida e o som do coração batucando.
Meu peito só bate vida, as gavetas estão vazias de você.
Teus pedaços piquei, nem cabem em fragmentos.
Choro tempo perdido e sorrio o achado, suas contradições, meu lamento.
Marcas cicatrizadas, um amor e só.
Encontro em mim todas as partes perdidas antes de vc dizer te amo.
Acho seus dedos, corpo, boca e clamo.
A linha fina que enverga e sobrevive a ventania do tempo.
Não mexo, não respiro, fecho os olhos e sinto a muralha do tempo.
Quantos fragmentos, momentos, sentimentos irão sobrar?
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