domingo, 30 de agosto de 2026

Muralha do tempo.

 Saudade de quando vc pintava as unhas dos meus pés de vermelho.

As carícias apaixonadas nas pernas e o olhar malicioso.

Meu peito dói de ver a trilha sonora feita para cada momento.

Um amor Bethania esses fragmentos.

Choro nesse terreno árido para refazer as nascentes do meu coração. 

Vc regou meu desejo e secou o rio da paixão.

Saudade da comida de sábado, o cheiro da sua colônia junto a comida e o vinil chiando.

A risada na história contada, um gole no vinho e o amor se derramando.

Meu peito tenta costurar as rachaduras que a sua doçura fez virar fel.

Um amor clichê esses fragmentos.

Choro de cara no vento para molhar o terreno rachado e frio que virou meu coração.

Vc jogou sal na minha água e de mar sobrou pó.

Saudade da voz ao pé do ouvido, a língua ávida e o som do coração batucando.

Meu peito só bate vida, as gavetas estão vazias de você.

Teus pedaços piquei, nem cabem em fragmentos.

Choro tempo perdido e sorrio o achado, suas contradições, meu lamento.

Marcas cicatrizadas, um amor e só.

Encontro em mim todas as partes perdidas antes de vc dizer te amo.

Acho seus dedos, corpo, boca e clamo.

A linha fina que enverga e sobrevive a ventania do tempo.

Não mexo, não respiro, fecho os olhos e sinto a muralha do tempo.

Quantos fragmentos, momentos, sentimentos irão sobrar?





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