quinta-feira, 17 de julho de 2008

"Essa" dor

A dor é indecepável.
sentir "essa" dor é humanamente intragável.
Um cigarro seria menos sufocante.
Que momento indecifrável pra moça, mulher e pessoa.
E seu som é o que no momento me entoa.
Nada a se fazer pois é independente de querer.
Melhor seria cortar um braço, um dedo, ou o próprio coração.
Sangraria menos e sem sufocação.
Dor maldita e imprescritível.
Agulha-me assim de um modo imperceptível.
Costante e intermitentemente exagerada.
Ora assim de um jeito, ora assando tudo na brasa.
Dor decepante e traiçoeira.
Aperta-me de um jeito, sem brincadeira.
Se o tempo vai levar suas cinzas só as frações vão dizer.
Momentos enfileirados pra se passar.
Apertados ou folgados.
Amargados e calados.
Mas certamente bravamente enfrentados.
Porque a dor é decepante.
Mas um dia vai espetar menos, mesmo que um só instante.

5 comentários:

(marta entre parênteses) disse...

dores dores dores
sera q um dia elas de fato acabam?

;*

Henrique disse...

Tomare que espete menos, a poesia ajuda, é o poema de Cecília Meireles, já devo ter colado aqui:

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.


Gosto do peso de suas palavras, dizem que os Erres, Jotas, Vês têm mais peso segundo a numerologia. Gosto também do rítmo.

Poesia uma coisa muito doida!
Até a dor é prazerosa!

Beijo Grande!!!

Naná disse...

O poeta é um fingidor, finge tão completamente, que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente.

E nesse momento, q sabemos q não é só arte, ñ é só fingimento, tampouco um eu-lírico independente, compartilhamos a dor, a arte.

Vc é praticamente da minha idade, deve lembrar da Felícia, um abraço daqueles em vc!!
Bjo grande, Pequena!

Nilson Vellazquez disse...

nossa!

Ana Diniz disse...

Uma beleza! Das melhores poéticas sobre a dor que já vi. Uma retórica e tanto. Às vezes fico curtindo essas coisas dentro de mim. A dor ensina. Pra o poeta ela é sempre matéria-prima pra algo melhor do que propriamente a essência pura da amargura. A dor descoisificada remove montanhas. Para mim, nada pode nos fazer sofrer - a dor é barro para escultura.

Aparece quando quiser lá no blog. Sua visita é sempre adorável, viu?

Fique com Deus e bjos.