terça-feira, 17 de maio de 2011

Brancura

Eu olho para a brancura do papel procurando, procurando.
Como se em minh´alma olhasse.
E vejo tantas coisas em meio ao nada.
Tantas partes de mim que queria de volta.
Anseio que a novidade faça a volta.
Existe pior dor que o desejo do passado?
Aquilo que causou e abusou.
Que simplesmente me passou.
No meio do branco meu coração a vagar.
Sem traumas, sem desespero.
Mas aflito somente.
E um olhar de estações.
Como quem espera cada flor não viver.
Como quem observa cada suspiro de mim.
Cada tilintar do som.
Sem arroubos, sem sorrisos.
Um presente existencial mas tão vago.
Preenchido de existência de si mesmo somente.
Loucura, seria a olhos alheios.
Mas quem é passível de tanta sanidade?
Quem vive sem prisões e angústias?
Medos e questionamentos em cápsulas e escapes.
Brancura és minh´alma e sonhos.
Vazios de presença e recheados de mim mesma.
Complexo seria me definir.
Inexplicável é viver.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Se...

Se o amor é intransitivo como dizem
Como sentir sem querer possuir no presente?
Como impedir que o presente
E sua pressa queira roubar o futuro?
E se o amor é vivo, sem amarras..forte.
Como sentir sem abafar as faíscas da fraqueza?
Como impedir que te possuo como um ser único?
Impedir que exista!
Implorar que não seja tão subsistente!
Que não não veja como a gente!!!
Como se abrir para o novo sem olhos nostálgicos?
O bom desse amor deixa marcas eternas.
E como ter forças nas mesmas pernas?
Se esse amor é tão presente.
Como mais forte que uma semente!
Que cresce sem o desejo e fortalece sem a vontade.
A vida sempre te invade!
E se o amor é como uma metade.
Queira ser o que invade.
Sem permissão....sem vontade.
Deixa pra pensar com saudade.
Nesse amor sem idade.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Não estou sozinha

Não estou sozinha desde que te conheci.
Vc sempre permanece aqui.
Guardado em minhas entranhas.
Basta respirar fundo e lá vem vc.
Assim como eu quero ter.
Suave e disparando coração.
Não estou sozinha não.
Vc está aqui.
Permanece no meu verbo existir.
Guardado nos fatos do corporais.
Nas linhas poéticas mais banais.
Não estou sozinha se tenho vc.
Pra me fazer chorar, sofrer.
Mas amor é fenecer.
Não interessa, tenho vc!
Não estou sozinha.
Sou alguém que caminha.
E permanece aqui.
Eu.
Vc.
Assim numa célula só.
Enlaçados como num nó.
Suave e disparando coração.
Como o timbre da persistente canção.
Não estou sozinha.
Porque pra nós nunca terá o fim da linha.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Que faço

Que eu faço de mim?
Das minhas dores sem fim.
Dos meus silêncios apavorados.
Que eu faço?
Como fazer toda loucura e seus gritos cessarem?
Como estancar minhas lágrimas intermináveis?
Que faço eu?
Como digo pra mim mesma tanta coisa?
Palavras de um consolar de mãe.
Abraços de um afeto que invade a alma.
Como sossego esse peito que é teimoso?
(...)
Sensação de desperdício latente rasga meu coração.
Parece que joguei tudo ao vento.
Que só resta toda inútil lamento.
Que faço eu de mim?
Quem irá me olhar com olhos de mil palavras?
Quem vai me dar a mão e aquecer meu desassossego?
Quem vai simplesmente dizer : estou aqui.
Que faço com esse nó?
Esse jeito babaca de sofrer.
De ter muito a dizer sem saber.
(...)
Que eu faço com tantas eteceteras?
Com esse jeito que incomoda e afaga.
Que faço eu com tanto de mim?
Um tanto que é tão farto de dor quanto de amor.
Um quinhão tão repleto de filosofia de mim mesma.
Que teima em doer sozinho.
Diria até abandonado,com frio, com fome, fragilizado.
Que faço me diga!?

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Comer Rezar e Amar.

Faz tempo que a poesia não sai de dentro de mim.
Separar dela jamais!Poesia é célula, é coração!
Antes o que ardia era a falta de inspiração, hj o que dói é o meu senso crítico...e dói tanto que
afetou minha vida, meu eu.
Empurrei meu samba- canção de tristeza com certeza até perceber que o caminho também
estava errado.A vida não foi feita pra ser empurrada ou levada.
Depois de ver " comer rezar e amar" me peguei de fato reavaliando o que estava fazendo de
mim, da minha essência, da minha coragem, daquele meu destemor.E eu juro que não é papo
de livro auto-ajuda.
Antes me julgava tão singular, tão original.
De uns tempos para cá isso foi se esvaindo junto com minha inspiração,fui perdendo o jeito de
mim mesma e isso me lembra tanto Clarice e Alice.
Já não aproveitava nem a dor, porque ela havia me engolido de tal forma que se
perguntassem algo eu só sabia que doia, nada mais.
Perder-se em si mesma.Caminhar sem saber de mim.Era assim que eu estava seguindo.
Depois de vários tropeços, erros e tristezas caminhava olhando pro nada, apenas seguindo o
fluxo da avenida pq é o que se faz nessa vida.
Mas isso me incomoda, sempre incomodou e agora mesmo pouco ainda pulsava.
Não sou de ser mais uma na multidão, pelo menos não na minha cachola doida.Gosto de me
sentir diferente, de poder mudar, de reavaliar, reorganizar, me impressionar!
Tava me sentindo rasa, curta, rota!
E não sou assim...sou complexa e simples ao mesmo tempo, sou o não e o sim e quiçá o talvez
no meio de campo!
Então tive esse vamos chamar de despertar, causado pelo cinema e não poderia vir de outro
lugar mesmo. O controle de si mesmo antes que o próprio vulcão da ansiedade desmedida o
engula, o auto permitir-se, o relaxar, o perdão pelos próprios erros,a corrida contra o
medo....tudo isso caiu a ficha como se diz por aí.
Parar de esperar o inesperado sem ao menos questionar-me se realmente fiz por
merecer.Parar de desejar a paciência como algo inatingível, colocar em prática como elixir de
paz interior e verdade.
Aposto que assim a poesia vai dançar não só dentro de mim como sempre o fez, mas nos meus
olhos, na minha pele e até no meu cabelo!
óbvio que tantas mudanças importantes não vão acontecer de um minuto para o outro, mas
tomar consciência delas é o primeiro passo, e esse iniciar sempre é o mais complicado da
jornada.
Sumi de escrever porque via como exposição, aliás sempre vi assim, mas por um tempo me
satisfez, escancarar minhas sandices, meus desejos, meus devaneios românticos.Com a crise
quis sumir de mim, quis me apagar e se possível me reescrever.Não consegui claro.A única
coisa que obtive foi um momento bicho-do-mato total, uma fobia social aguda, uma falta de
tolerância exacerbada.Ah e uma raiva do amor sem limites, o que para mim significava a falsa
venda do comercial de margarina.
Sabe quando vc acha tudo errado? até vc? por aí.
Logo eu que sou tão sociável, tão tolerante, tava cansada de socorrer tudo e todos.Esqueci que
eu precisava de socorro para continuar, pra ser alguém diferente do velho que não tava
servindo até então.Só que ninguém ouve seu grito interno né? A vida engole muito ansiosa as
pessoas para se darem o " direito" de ver a dor alheia.Quer ajuda procure um terapeuta esse é
o conselho da maioria.Ou então: " vai beber porra!".Sim, torne-se um alcoolatra, um
dependente psicoterapeutico e não torre o saco alheio faz favor!
Mas eu hoje agradeço até isso pq se não o fosse, não enxergaria os erros e até os mais tolos
um dia vão te servir pra alguma merda, pode apostar.
Não sei se um dia volto a me derramar escrevendo como antes.Uma parte daquilo que fui
morreu e ainda morre.Mas o que é a vida que a morte gradativa de nós mesmos não é?
Então que saia o velho e entre o novo que eu estou a tecer como uma bela colcha de
retalhos.Que o suspiro invada com esse novo ar, porque o sorriso já mudou.

domingo, 17 de outubro de 2010

Texto

Hoje não tem poesia somente texto.

A casa está vazia.

A poesia passa e escorre.

Como o meu choro cheio de motivos.

Habita as cenas das felicidades momentâneas.

Aquelas que julgo vida.

E nem sob prece eu volto.

Só vejo o silêncio.

Ora preenchedor suficiente.

Ora o corte que dói igual a morte.

Fico tateando a minha lucidez.

Até minha insanidade correu.

E eu onde estou?

Me prendi em algum galho de passado.

Sobraram restos de um eu tão estranho.

Quase pergunto onde eu fui pra ele.

E vive?pulsa?resiste?

De que substância estou abastecida?

As paredes nunca foram tão invisíveis.

Pessoas nunca foram tão iguais.

Caminha uma casca sem nome ou fundamento.

Maldito Saturno.

Beleza da idade, espinho de maturidade.

A casa está vazia.

Tudo e todos saíram sem despedidas.

Perdi o fôlego de mim na saída.

Gastei-me e nem brilho nos olhos restou.

Não posso recomeçar com o que sobrou.

Porque somente há texto.

Falta poesia.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Devorando

Estou devorando meu coração.
Como se pudesse arrancar cada emoção.
Nada vai adiantar.
(eu sei)
Não sei simplesmente deixar.
Preciso cortar alguma coisa,ato, pedaço.
Se continuar a sentir...o que faço?
Digo que vai passar.
Mas nada vai adiantar.
(eu sei)
Estou deixando doer.
Assim ninguém irá percerber.
Nem vc!
Estou gritando ao amor.
Roendo os ossos da dor.
Ofegante na solidão.
Implorando a expulsão.
Mas nada vai adiantar.
(eu sei)
Estou devorando minhas batidas.
As partes arrancadas e as caídas.
Julgando fraqueza.
Pobre descuido,que tristeza.
Estou devorando meu coração.
Alimentando-me de toda intensidade.
Da minha própria vontade.
Minha verdade, desejo, e ilusão.