sexta-feira, 12 de junho de 2026

Três

 "Na realidade, cada um de nós é três: aquele que acreditamos ser, aquele que os outros acreditam que somos e aquele que realmente somos."

Acredito que posso virar molécula, penetrar bolha e sumir nesse ar perfeito.

Aquele que os outros ou o outro acha que sou, tece-me uma teia cheia de porquês e talvezes, que embolam-se nos meus fios cerebrais e ganham importância a medida de cada pessoa.

Aquilo que sou realmente é simples e complexo, complicado e perfeito, ateu e de fé, sombra e luz, certeza e dúvida, som e silêncio, inconstância e pé no chão, um grupo de mim que só importa para eu mesma.

A realidade é o que vc quer ver, vestida de fantasia e frou frous de ilusão. Com duração exata de tempo!

Que cheguem os amores, as paixões, as decepções, a realidade vestida de verdade com seu punhal nu e cru a lhe cobrar. 

Quem é fiel a si? Ao que vc acredita ser, ao que o outro acredita que vc é ou o que vc verdadeiramente é??

Qual meu eu vc teve acesso? Qual vc degustou em sua língua? Qual desperdiçou?

Será que todos eles se relacionaram com vc e seus eus? Será que te despi, vi seu pior, enrosquei-me no lado b rejeitado pela maioria?

Quando por fim minha molécula mergulhar no ar perfeito só sobrará nuvens de vc, que passam como mero adorno do meu caminho. 

Minhas viagens moleculares viram vc várias vezes mas não sentiram verdade, talvez só cabia o eu que vc realmente é: inconstante, fugidio, sem sentimento. Vazio como a nuvem que eu viajo.

O medo fere tanto, sangra como um tiro covarde. Mesmo acreditando a palavra de confirmação nunca chegou, assim como a bandagem da desculpa e o remédio do perdão. 

Dou a mão as minhas três eus e seguimos no ar perfeito. 

sábado, 14 de março de 2026

Carta

 A carta que você escreveu..


Foi tudo muito rápido

Sua chegada inesperada

A intensidade sentida

Partida doída


Esperei palavras, escapadas, engolidas, vivas. 


Visualizei você despedaçando a alma nesse adeus. 

Senti cada gota de amor, revolta, frustração, desejo e dor. 

Sentimentos meus e seus. 


A carta que vc escreveu..


Foi você sendo verdadeiro, inteiro, transparente. 

Risos e lágrimas da gente. 

Cada batida na porta do amor urgente. 

O respiro do tesão pungente. 


Esperei o olhar, a boca, os dedos, tantos sentidos. 


Visualizei você sem controle, o lado animal. 

Senti cada toque de amor, desespero, súplica e rendição. 

Minha e sua perdição. 


A carta que você escreveu..

Nunca existiu. 

O papel permanentemente vazio, silencioso, triste, inútil. 

Esperei minhas expectativas ganhei solidão. 

Você esfarelou presença, esperança e amor. 

Manchou o que tinha mais beleza. 


A carta

Quem escreve sou eu. 

Não resta você. 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Precisava

 Precisei escrever-te essa carta, analógica maneira de expressar o que senti durante nosso tempo. Afim de atravessar o vento com nossa história, para que ela não se perca na covardia da vida difícil de nós dois. 

A paixão nos sequestrou, individualmente, colocando nosso sistema nervoso a baixo. Nãos nos procuramos mas nos desejos desde o primeiro momento. Meus medos, seus desejos, a voracidade das batidas do meu coração. Que presença firme moço, que coração lindo, seus olhos dizem tudo e eu me desmancho. 

Precisava tentar ao menos, dizer o quanto foi carmático nosso encontro. Quantas dificuldades para nomear nossos sentimentos nesse embrulho simbiótico que fomos nós dois. Meses que pareciam anos. 

Nossas músicas de mãos dadas, os livros de poesia nas mãos, seus olhos me devorando. Por um minuto odeio como vc lê meu pensamento, completa minhas falas, sabendo exatamente o caminho do arrepio. 

Precisava dizer talvez o óbvio: sua presença não faz força, preenche, se instala. Não há vestígios de muros a ultrapassar. É leve como seu sorriso. 

Talvez vc já saiba o quanto importa ser leal e corajoso na vida e no amor mas essa paixão não sabe ser uma coisa só, nem apenas juvenil muito menos madura. Alterna-se os estados como nossos dedos entrelaçados. 

Precisava dizer tantas coisas de vc, sobre vc, que esqueci o tempo. 

Ah tempo, infeliz rapaz, juntou- se com gente de péssima laia como a covardia e outros inadequados e vc saiu porta afora. Queria te devolver os pedaços de ti esquecidos por todos os lados. Resgatar a inocência que me fez acreditar em tantos momentos e a boa-fé que tudo se resolve no próximo minuto. Julguei o pobre rapaz Tempo. Culpei, sentenciei e apliquei-lhe a pena. Tantos erros escondidos, sorrateiros.

Precisava te ouvir dizer, te ver sem a casca, nú da convenções, coração pra fora. Ah como precisava. 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Tudo que eu quis

 Tudo que eu quis

As palavras no papel. 

Os nós que desfiz. 

Vc cabia em cada metro quadrado  

As notas musicais embalando. 

Os sentimentos embolados  

Tudo que eu quis

As concessões que me permiti. 

Os planos que refiz. 

Sobra tanto espaço sem você que eu quis

Porque o você que eu quis não me queria. 

No que foi desfeito vc me devolvia

Tudo que eu quis se perdia  

Eu voltaria?

Os dedos que se soltaram

As bocas que não se procuraram

As palavras que jamais falastes

Você voltaria?

Tudo que eu quis

Porque o você que eu queria só mentia

E a realidade só doía  

Os sentimentos foram rasgados como frágil papel

Banhados em maus tratos de puro fel  

Tudo que eu quis morria

Todo adeus me sangraria

Nem as palavras sobrariam  

Coração sob escombros

Tudo que eu quis

Deixei de querer

A verdade que não quis aparecer

Os dias lentamente a morrer  







 


terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Água

 Lava os olhos

Molha a boca, escorre no peito

Água que salga, brota. 

Tantas flores agora despetalam. 

Água que leva embora. 

Não enxuga decepções. 

Vc que traz a sede também seca o prazer. 

Gotas que percorrem toda extensão do meu ser. 

Serena mar. 

Amo sua força água, seu silêncio bruto. 

Olhos, ouvido, boca, tingidos de vc

Presente sua água, salgada e textual. 

Trinta e um dias de vc. 

Parte água, mata-se esperança. 

Ata-me contigo. 

Sigo despida, terra pronta. 

Sem despedidas. 

Água que teima, queima. 

Dor atrás de paz. 

Líquido ambicioso. 

Olhos, ouvidos, boca, marcados de vc. 

Escorre gotículas. 

Nossa água, teimosa, faceira, insistente. 

Multiplica partícula água. 

Sem adeus, talvez nós. 

Mudança de estados. 

domingo, 7 de dezembro de 2025

Decepção

 


Decepção é uma dose amarga que desce rasgando. 

Não se espera beber fel em dia de sol muito menos chuva. 

A dor acolhe com seus braços apertados de força traidora. 

A respiração rateia consumida pelos espinhos do golpe inesperado. 

Decepção flecha o coração que faz buracos difíceis de sarar. 

Olhamos as feridas que teimam em sangrar misturadas as lágrimas. 

Não sabemos se estancamos ou buscamos ar. 

Decepção dói profundo porque um dia foi vestida de confiança e consideração. Já deu risadas, abraços cúmplices. 

Confiança derrete sob o fel do ataque traiçoeiro. 

E consideração como criança foge assustada com tamanho alvoroçar dos gritos ingratos. 

Aperta-se os botões da realidade a nova vida cheia de cicatrizes. 

Decepção vc já fez os estragos suficientes em quem nunca levantou a mão pra vc. 

Não desejo o mal que vc me causou mas peço que nunca mais venha me ferir. 

Guarde seu fel, suas garras e seus feitos para quem merece. 

Sua visita fechou portas, deixou rastro mas vou costurar minhas dores. Sozinha. 

Dessa bebida amarga meu coração ingênuo não quer mais degustar. 

sábado, 15 de novembro de 2025

Pedaço de você

 Meu pedaço de você me faz companhia

Fizemos pouco, uma lenta agonia.

Quando olho pra esse sedento pedaço seu

Me faz querer colar corpo no corpo profundo breu.

Seu pedaço me fez cair em abismo sentimental 

E as brutas palavras dessa boca linda, golpe fatal.

Específico pedaço de você e seus tentáculos.

Nossos beijos ardentes, que espetáculo!

Tantas partes sem despedida de você

Pedaço restante, bruta flor do querer.

Meu pedaço de você não largou minha mão

Bastou um olhar para alcançar meu coração.

Quando sinto esse sedento pedaço seu

Pergunto porque todo o resto não foi meu.

Seu pedaço me fez perder a fé de tudo como um ateu.

E as vazias palavras dessa boca em derramar, me fez calar.

Específico pedaço que teima em não me deixar

Momentos que o tempo não vai apagar.



sábado, 25 de outubro de 2025

A estrada e o chão.

 Texto3


Tudo em vão. 

Seus espinhos enterrados na minha pele. 

Como vc fez isso?

Palavras no chão. 

As cicatrizes abertas escorrendo dor. 


Nada adianta. 

Calendário avançando sob os olhos. 

Qual sua motivação?

Sentimentos cravados. 

O frisson correndo pelo corpo. 


Tanto faz. 

Seus pedaços presos em mim. 

Como será o fim?

Cortinas de silêncio e vazio. 

Minha porta, sua presença. 


Tudo em vão, nada adianta, tanto faz. 

Estendo a mão para paz. 

Não tem disfarce, tiro a roupa e a pele. 

Sobras, sombras, poeira. 

Temos a vida inteira. 


A estrada e o meu chão. 

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Peças do amor

 Camisas se abraçam pelo chão

Peças do desejo

Amor em ebulição

Dedos suaves deslizam nas costas

Seu braço nos meus seios sinto-me exposta

Dentes cravam a carne quente

Suspiro pula passando dentes. 

Bocas captadas

Línguas no tango sinto-me atada. 

Calças empilham -se pelo mesmo chão. 

Amor em erupção. 

Peças do desejo

Pernas inquietas sobem tua cintura

Já somos interessante mistura

Minuto para ao nosso redor

Expectativa do encaixe que faz de nós um só

Desejo se completa no vazio das peças

O auge das carnes em suprema festa

Nessa dança somos meros expectadores

Desejos correm, tremem, disparam e ardem. 

O relógio que espere o amor dança em plena tarde. 

domingo, 19 de outubro de 2025

Crônica da vida

 Escutei em um filme: o mundo é formado por muitos mundos, uns conectados outros não. 

O sentido das coisas é a conexão. Aquilo que toca sua alma, faz vc sentir-se parte desse Universo controverso e único. 

Ninguém vive a sua vida por vc disse Glória Maria e me fez refletir exatamente como tantas coisas deixaram e outras ganharam sua importância. 

Tenho pressa de descartar aquilo que me paralisa, estaciona, seja pelo motivo que for. Não quero gastar vida com aquilo que me tira brilho, poesia e luz. 

Me interessa o leve, o livre, o que arranca meu sorriso e provoca meus sentidos. 

Não faço questão de ser entendida, aprovada, caber em caixas de definições. 

Perder momentos preciosos dessa minha vida única com outros que não fazem qualquer sentido ou fere minha existência não faz parte dos meus planos. Machucar-se durante o trajeto dessa jornada vida faz parte do amadurecimento. Cria-se resistência, casca dura. Mas nunca sem perder a ternura, o olhar empático. 

Certas experiências desnudam os véus ilusórios dos olhos e nos fazem enxergar que o que faz nosso coração bater em disparada, como escola de samba na ala da bateria é o que vale. É o que chamam por aí de felicidade!

Nessa minha vida única e intransferível quero me maravilhar com o passarinho colorido na varanda. O banho de mar que salva todo o meu axé até o mais profundo do meu ser. A dança do topo das árvores que tem um nome japonês que sempre esqueço mas que me faz ver toda a sua perfeição. O livro que sacode minha poesia interna terminando em suspiros. Os sabores dos alimentos que por muito tempo me foram banidos e hoje surpreende meu prazer em agradecimento. 

A vida retira com uma mão colocando a prova com toda sua força e poder, senhora de si. Mas nos presenteia com sabedoria, reflexão, epifanias e a certeza que existe tempo para se gastar com aquilo que realmente faz o seu mundo mais rico, condizente com o que vc é e quer ser. Aquilo que te orgulha em ter na bagagem de ser vivente. 

Não quero todos os mundos mas aquele que tem as conexões mais verdadeiras e sinceras.  

O resto pode passar como vento. 

sábado, 11 de outubro de 2025

Gestação

 Gestar todo o sentido. 

Medos esvaindo-se, lugares tomados por sentidos. 

Respirar cada tom de mim mesma. 

Sentimentos emitidos  

Que gestação!

Cada tempo, meses reveladores. 

Partículas de ti tomando ares. 

Sentir cada dom de mim mesma. 

Sentimentos punidos. 

Que venha nova estação!

Tenho te sentido, gestando. 

Devolva-me, partes tomadas, ocupadas. 

Respirar cada som de mim mesma  

Sentimentos devolvidos  

Reviravolta de emoção  

Gestar profundidade, vontade  

Respirar teus silêncios  

O mar nunca foi tão abrigo, saudade  

Sentimentos envolvidos  

Gestar todo o sentido

Não colar nada partido  

Respirar cada vazio a ser preenchido  

Sentimentos ouvidos  

Renasce em mim  

As estradas, caminhos  

Coração é ninho!






terça-feira, 23 de setembro de 2025

Vasculhei

 Vasculhei as gavetas para saber qual melhor te serviria. Mas isso não importa porque somente engavetamos o que de bom o amor deixou. 

Suas feridas ainda ardem. Olho e pergunto como algo sem presença pode sangrar. Talvez tenha exposto sem perceber que seria ferida vorazmente. E em que gavetas cabem as dores? 

As gavetas estão prontas, meu coração também. A vida bate na porta inquisidora, imponente. Talvez tenha adormecido nas lembranças sem perceber que nunca fui priorizada. Não há gavetas para almas teimosas.

Cartões de amor, saudade, desculpas nem ocupam mais as gavetas. Foram nossas, armazenaram vc em toda sua essência, sabor e presença.

Vasculhei meus pensamentos para saber qual espaço ainda te caberia.Mas isso não importa porque eles são livres e o que me acorrentou fatalmente acabou.

Minhas feridas ressentidas choram. Olho e pergunto como algo que só existiu para mim pode doer tanto. Talvez tenha vivido nas lembranças sem saber que era ilusões unilaterais. Não há gavetas para almas apaixonadas.

Músicas, comidas, beijos, nada impresso para engavetar. Foram nossos, carimbados, vc em todo sentimento, sexo e desejo.

Vasculhei meu coração para encontrar razão e conceber. Importa como nos doamos e amamos sem esquecer da própria essência.

Minhas entranhas não engavetam coragem. Não caibo em gavetas, silêncios ou medos. Minha alma quer tudo de verdade, palavras, presença, olhos e principalmente coração.

Não preciso forçar espaços, implorar frestas, delinear pulgências.

Feridas saram, gavetas se abrem mas também se fecham e o tempo caminha de mãos dadas com a cura.


quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Digas sem querer

 Quis dizer tantas coisas, despedir-se nunca é suficiente. Frases feitas no calor, na angústia, as decepções que nos causamos em momentos tolos. As palavras perderam seu posto de fortaleza. Certas coisas não precisam ser ditas, outras expulsas dos pulmões a pleno calor do momento. Porque no despedir-se elas queimam, viram pó no abismo do fim.

Sentimentos vivem afogados, torturados, maltratados como soldados de guerra dessa batalha hostil que fomos nós aos olhos alheios. A despedida estava lá junto até mesmo da chegada, espreitando cada fresta. Diga-me mesmo tardiamente as palavras que expressavam tantas coisas. Elas precisam de ar, mesmo que não adquiram valor. Não mate-as sem chance de sorrir como um bebê feliz.

Quis dizer tantas dores, porque os cortes fundos sangraram para criar coragem nesse despedir-se. Frases feitas no suspiro, na lágrima, as ilusões que mantiveram cordões umbilicais robustos. As palavras vagaram, fugitivas, afrontadas pela covardia, dor ou cansaço. Certas coisas não precisam ser ditas outras sob gritos latentes mesmo que tardiamente. Porque despedir-se não cabem lacunas.

Sentimentos vivem as dúvidas, mutilados, aniquilados como lutadores de um round previsível de fracassos mas que insistem na luta. A despedida ali, oferecendo amparo.

Diga o que nunca foi dito, antes do despedir-se, quando não havia frestas ou lacunas, só sentimentos, misturados como linhas de uma tapeçaria que se desenha em plena beleza de existir. As palavras precisam de destino, de quem as segure pelas mãos firmes e diga-lhes: sejam!

Quis dizer e o despedir-se roubou até as vontades desse dizer cansado. Ofereci a ausência, triste, muda, dolorida, injustiçada, machucada. Palavras fecharam as portas, chaves na gaveta, olhos no tempo.

Digas sem querer.

Relógio

 Cada minuto que você caminha o relógio se move.

Parei para olhar, ansiosa e cheia de esperanças.

O tempo sara os descompassos?

Dei corda no relógio.

Ele parou.

Para (sempre).

Cada minuto que você fraciona no pensamento o relógio se move.

Parei de olhar, as esperanças caíram dos dedos.

O tempo apaga seus passos?

Dei corda no relógio.

Ele não voltou a bater.

Será para sempre?

Cada minuto que o dia rouba o relógio se move.

Parei de olhos fechados, sentindo, dedos no vazio.

O tempo descortina o caminho.

Olhei o relógio, pensativo, parado.

Tic tac.

Cada minuto.

Relógio.

O tempo não se dá corda.

Não para.


sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Inspiração



Sinto falta de você, embora nunca tenha me abandonado. 

Ficou quietinho ali em alguma gaveta, fresta, recôncavo. E eu te deixei ali adormecendo, amadurecendo ou se escondendo. 

Você não precisava de mim. 

Senti vontade de te procurar, dizer o quanto você é parte inerente dessa nova eu e que eu nunca vou deixar você partir para sempre. 

Mas não fiz. Julguei que em algum lugar do seu sono você saberia.

(E não sabe?)

Sentia falta do seu cheiro a minha volta, dominando meus pêlos, infiltrando dopamina, meus olhos se fechando para segurar. 

Queria ser surpreendia nos meus dedos e lábios, me arrancando um sorriso.

Você sempre me causou e arrancou as melhores  emoções vestidas e nuas. 

Você não vinha mas estava ali e aqui, dentro e fora, quieto , silencioso, respeitoso e profundamente meu. 

É um sentir saudades dos momentos que formamos uma dupla memorável né?

(Porque você sabe)

Senti vontade de descansar no seu abraço porto, que seguro de si não força para ser, apenas é. 

Até quando faltava seus braços, sobrava-lhe peito, ombro, respiração. 

Queria compartilhar o correr do relógio, do sol e da lua com seu olhar. Como era bom gastar a vida vendo o dia chegar, pensando que nós estivemos grudados, unidos, palavra por palavra, sem mundo, sem paredes, sem estrada. 

Senti saudade dessa consequência juvenil dos corações corajosos. 

Mas você sabe. 

(Não sabe?)

Você descansou longe, eremita, guardião de nós dois e eu me acostumei a deixar você com meu pedaço. 

Agora digo que sinto falta de você como nunca! 

Embora você nunca tenha me abandonado, mas me levou no seu descanso e eu nunca mais fui inteira sem saudade. 

Não posso pedir a volta do que jamais foi. Mas posso pedir para ser o que você é: totalmente meu. 

A gaveta é sua, o descanso nosso. 

Volta a inundar meu coração, papéis, decibéis e pixels, adoro me enrolar nos seus pedaços.

Aposenta essa saudade que eu quero tua presença.