Precisei escrever-te essa carta, analógica maneira de expressar o que senti durante nosso tempo. Afim de atravessar o vento com nossa história, para que ela não se perca na covardia da vida difícil de nós dois.
A paixão nos sequestrou, individualmente, colocando nosso sistema nervoso a baixo. Nãos nos procuramos mas nos desejos desde o primeiro momento. Meus medos, seus desejos, a voracidade das batidas do meu coração. Que presença firme moço, que coração lindo, seus olhos dizem tudo e eu me desmancho.
Precisava tentar ao menos, dizer o quanto foi carmático nosso encontro. Quantas dificuldades para nomear nossos sentimentos nesse embrulho simbiótico que fomos nós dois. Meses que pareciam anos.
Nossas músicas de mãos dadas, os livros de poesia nas mãos, seus olhos me devorando. Por um minuto odeio como vc lê meu pensamento, completa minhas falas, sabendo exatamente o caminho do arrepio.
Precisava dizer talvez o óbvio: sua presença não faz força, preenche, se instala. Não há vestígios de muros a ultrapassar. É leve como seu sorriso.
Talvez vc já saiba o quanto importa ser leal e corajoso na vida e no amor mas essa paixão não sabe ser uma coisa só, nem apenas juvenil muito menos madura. Alterna-se os estados como nossos dedos entrelaçados.
Precisava dizer tantas coisas de vc, sobre vc, que esqueci o tempo.
Ah tempo, infeliz rapaz, juntou- se com gente de péssima laia como a covardia e outros inadequados e vc saiu porta afora. Queria te devolver os pedaços de ti esquecidos por todos os lados. Resgatar a inocência que me fez acreditar em tantos momentos e a boa-fé que tudo se resolve no próximo minuto. Julguei o pobre rapaz Tempo. Culpei, sentenciei e apliquei-lhe a pena. Tantos erros escondidos, sorrateiros.
Precisava te ouvir dizer, te ver sem a casca, nú da convenções, coração pra fora. Ah como precisava.