terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Água

 Lava os olhos

Molha a boca, escorre no peito

Água que salga, brota. 

Tantas flores agora despetalam. 

Água que leva embora. 

Não enxuga decepções. 

Vc que traz a sede também seca o prazer. 

Gotas que percorrem toda extensão do meu ser. 

Serena mar. 

Amo sua força água, seu silêncio bruto. 

Olhos, ouvido, boca, tingidos de vc

Presente sua água, salgada e textual. 

Trinta e um dias de vc. 

Parte água, mata-se esperança. 

Ata-me contigo. 

Sigo despida, terra pronta. 

Sem despedidas. 

Água que teima, queima. 

Dor atrás de paz. 

Líquido ambicioso. 

Olhos, ouvidos, boca, marcados de vc. 

Escorre gotículas. 

Nossa água, teimosa, faceira, insistente. 

Multiplica partícula água. 

Sem adeus, talvez nós. 

Mudança de estados. 

domingo, 7 de dezembro de 2025

Decepção

 


Decepção é uma dose amarga que desce rasgando. 

Não se espera beber fel em dia de sol muito menos chuva. 

A dor acolhe com seus braços apertados de força traidora. 

A respiração rateia consumida pelos espinhos do golpe inesperado. 

Decepção flecha o coração que faz buracos difíceis de sarar. 

Olhamos as feridas que teimam em sangrar misturadas as lágrimas. 

Não sabemos se estancamos ou buscamos ar. 

Decepção dói profundo porque um dia foi vestida de confiança e consideração. Já deu risadas, abraços cúmplices. 

Confiança derrete sob o fel do ataque traiçoeiro. 

E consideração como criança foge assustada com tamanho alvoroçar dos gritos ingratos. 

Aperta-se os botões da realidade a nova vida cheia de cicatrizes. 

Decepção vc já fez os estragos suficientes em quem nunca levantou a mão pra vc. 

Não desejo o mal que vc me causou mas peço que nunca mais venha me ferir. 

Guarde seu fel, suas garras e seus feitos para quem merece. 

Sua visita fechou portas, deixou rastro mas vou costurar minhas dores. Sozinha. 

Dessa bebida amarga meu coração ingênuo não quer mais degustar.